A B3 confirmou durante o evento B3 Day que o mercado de capitais brasileiro está prestes a romper um hiato de quatro anos sem ofertas públicas iniciais. Atualmente 54 companhias já possuem o registro de categoria A na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o nível mais alto de exigência regulatória. Essas empresas aguardam apenas uma “janela de oportunidade” macroeconômica para lançar suas ações ao mercado investidor.
De acordo com Viviane Basso, diretora de Pós-Negociação da B3, a documentação dessas organizações está totalmente organizada para a operação. O movimento ocorre após um período de retração onde nenhuma empresa abriu capital desde a Vittia em 2021. Além das prontas a bolsa monitora outras 3,5 mil empresas com faturamento superior a R$ 500 milhões que possuem potencial de listagem.
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O otimismo da operadora da bolsa baseia-se na maturidade do mercado e na perspectiva de redução da taxa básica de juros. Gilson Finkelsztain, CEO da B3, destacou que a estratégia é fortalecer o core business enquanto diversifica produtos. O executivo projeta que o volume financeiro migrante para a bolsa pode atingir R$ 1 trilhão com um cenário fiscal controlado.
Regime Fácil e novas regras de listagem
Para impulsionar a entrada de novos players a B3 implementará o Regime Fácil a partir de janeiro de 2026. Essa nova modalidade simplifica exigências e reduz custos para companhias com faturamento anual de até R$ 500 milhões. O objetivo é tornar o processo de listagem mais ágil permitindo conclusões de processos em até 12 dias úteis.
O novo regime elimina a obrigatoriedade de um coordenador líder para certas ofertas diretas e facilita a emissão de debêntures. Segundo a B3 a intenção é atrair startups e empresas de médio porte que antes viam o IPO como um processo burocrático e caro. Conforme a declaração de especialistas o foco inicial deve recair sobre setores de infraestrutura e saneamento.
A mudança regulatória busca responder à concorrência internacional e evitar a migração de empresas brasileiras para bolsas americanas. Segundo dados oficiais a bolsa já adaptou sistemas e processos internos para suportar o aumento no fluxo de listagens no início do próximo ano.
Candidatas e expectativas do mercado
Entre as empresas que figuram na lista de possíveis estreantes para 2026 a Aegea Saneamento aparece como forte candidata para abrir a temporada. A companhia já divulga resultados financeiros e apresentou crescimento de 24,2% na receita líquida no terceiro trimestre. Outros nomes como Madero, Laboratório Teuto e Vast Infraestrutura também permanecem no radar dos analistas.
O mercado de renda fixa deve continuar servindo como porta de entrada para essas companhias antes do equity. Em setembro de 2025 as alocações em renda fixa somaram R$ 42,9 bilhões reforçando a liquidez disponível no sistema financeiro. A B3 planeja lançar novos derivativos e produtos de tecnologia para sustentar esse crescimento.
A retomada dos IPOs é vista como essencial para renovar o índice Ibovespa que atingiu recordes nominais em 2025. O sucesso das novas ofertas dependerá da manutenção do controle inflacionário e da atratividade para o investidor estrangeiro. A bolsa brasileira encerra o ano com 445 empresas listadas e foca em expandir essa base de forma acelerada.