O Banco Central divulgou nesta terça-feira (17) a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária confirmando que observa moderação gradual da atividade econômica brasileira. O documento reforça que a desaceleração faz parte da estratégia para controlar a inflação.
Segundo a autoridade monetária, a economia doméstica manteve trajetória de moderação no crescimento, tal como antecipado pelo Comitê. A última divulgação do Produto Interno Bruto seguiu indicando redução no ritmo de expansão.
Os dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central, divulgados na segunda-feira (16), comprovam a tendência. O IBC-Br recuou 0,2% em outubro na comparação com setembro, segundo resultado negativo consecutivo.
No acumulado de 12 meses, o indicador registra alta de 2,5%. Já no ano, a expansão alcança 2,4%, demonstrando desaceleração em relação aos 3,4% registrados em 2024.
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A queda da atividade foi puxada principalmente pelo setor de serviços, que recuou 0,2%. A indústria registrou retração ainda maior, de 0,7%. Apenas a agropecuária apresentou resultado positivo, com avanço de 3,1%.
Juros altos produzem efeito esperado
O Banco Central manteve a taxa Selic em 15% ao ano na última reunião de 2024, realizada na semana passada. A autoridade não sinalizou quando deve iniciar cortes nos juros.
Em comunicado, o Copom informou que o cenário atual está marcado por grande incerteza. A estratégia é manter a Selic neste patamar elevado por período bastante prolongado.
A taxa está no maior nível desde julho de 2006, quando atingia 15,25% ao ano. Após chegar a 10,5% em maio de 2024, começou a ser elevada em setembro do ano passado.
A ata divulgada hoje destaca que a condução cautelosa da política monetária tem contribuído para ganhos desinflacionários. O Comitê reafirma o firme compromisso com o mandato de levar a inflação à meta.
Inflação ainda acima do centro da meta
A inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,46% em novembro, dentro do intervalo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. O limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%, com centro em 3%.
O Copom avalia que o arrefecimento da demanda agregada é elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia. A moderação da atividade é necessária para convergência da inflação à meta.
As expectativas de inflação seguem desancoradas. Para 2025, o mercado projeta 4,5%, enquanto para 2026 a estimativa fica em 4,2%, ambas acima do centro da meta.
O Banco Central classificou o cenário como desafiador. A desancoragem das expectativas de inflação ainda preocupa e exige manutenção de cautela na condução da política monetária.
Mercado de trabalho aquecido preocupa
Apesar da desaceleração observada nos últimos meses, o mercado de trabalho continua aquecido. O Copom destaca que a resiliência do emprego e dos salários mantém a demanda doméstica em patamar elevado.
A autoridade monetária segue acompanhando de perto os sinais do mercado de trabalho. A combinação de atividade moderada com emprego forte representa desafio para a política monetária.
Os analistas interpretam a ata como ligeiramente mais otimista. O reconhecimento da moderação da atividade e da diminuição das expectativas de inflação reforça a percepção de que a política monetária está produzindo efeitos esperados.
Cenário externo adiciona incertezas
O Banco Central avaliou que o ambiente externo permanece desafiador. Os riscos de longo prazo continuam presentes, embora o cenário esteja menos incerto do que há alguns meses.
A autoridade menciona o fim do impasse orçamentário nos Estados Unidos e a evolução de negociações comerciais como fatores que reduziram a volatilidade internacional.
No entanto, o Comitê focará nos mecanismos de transmissão da conjuntura externa sobre a dinâmica inflacionária interna. Um cenário de maior incerteza global e movimentos cambiais abruptos exige maior cautela.
Expectativa para corte de juros
No mercado financeiro, ainda não há consenso sobre quando o Copom iniciará a redução da Selic. A maioria dos economistas aposta que o primeiro corte deve ocorrer apenas em março de 2025.
Para Leonardo Costa, economista do ASA, o Copom mostrou convicção crescente de que o nível atual de juros é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta. A leitura do cenário mais benigno dá tom mais suave ao comunicado.
A desaceleração da economia neste último trimestre traz maior segurança para o início do ciclo de corte de juros. O comportamento do IBC-Br nos próximos meses será acompanhado de perto pelo mercado.
Política fiscal segue no radar
O Banco Central voltou a cobrar ajuste dos gastos públicos. A ata reforça que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal tem potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia.
Na avaliação do Copom, isso tem impactos deletérios sobre a potência da política monetária. O custo de desinflação em termos de atividade aumenta quando há incertezas sobre a estabilização da dívida pública.
O Comitê defende que políticas monetária e fiscal contracíclicas contribuem para assegurar a estabilidade de preços. A coordenação entre as políticas econômicas é fundamental para o sucesso da estratégia antiinflacionária.
Projeções para 2025
O Ministério da Fazenda mantém projeção de crescimento do PIB de 2,2% em 2025. Caso o número se confirme, haverá desaceleração em relação aos 3,4% estimados para 2024.
Os analistas do mercado financeiro esperam que o PIB cresça 2,25% este ano, segundo o relatório Focus. A estimativa se aproxima da previsão oficial do Banco Central, de 2,1%.
Na avaliação da equipe econômica, o principal fator por trás da perda de dinamismo é o nível elevado da taxa básica de juros. Com a política monetária ainda restritiva, a economia deve seguir operando em ritmo mais moderado.
O Banco Central mantém a perspectiva de desaceleração da atividade econômica ao longo do trimestre corrente e do segundo semestre. A manutenção da Selic em níveis elevados tende a preservar o processo de desinflação.
