A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta segunda-feira dados alarmantes sobre o financiamento produtivo no Brasil. O levantamento confirma que os juros altos são o maior obstáculo para o crescimento.
Segundo a pesquisa, oito em cada dez empresas que tentaram obter crédito de curto ou médio prazo apontaram as taxas elevadas como principal barreira. O cenário de restrição financeira atinge todos os portes.
A atual política monetária, com a Selic fixada em 15% ao ano, encarece drasticamente o custo do dinheiro. Consequentemente, o setor produtivo interrompe planos de expansão para evitar o endividamento insustentável.
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A dificuldade de acesso ao crédito não se limita apenas aos juros nominais. A exigência de garantias reais, como imóveis e equipamentos, foi citada por 32% dos industriais como um entrave adicional.
Além disso, 17% das empresas reclamam da falta de linhas de crédito adequadas às suas necessidades específicas. Por causa disso, quase um terço das indústrias que buscaram crédito de longo prazo fracassaram.
A analista de políticas da CNI, Maria Virgínia Colusso, alerta que juros reais em torno de 10% desestimulam a inovação. Portanto, a indústria nacional perde competitividade global frente a mercados com crédito mais barato.
Médias empresas sofrem mais com a escassez
O impacto da falta de financiamento é sentido de forma mais severa entre as médias empresas. Nesse segmento, cerca de 43% das companhias que tentaram crédito de longo prazo não tiveram sucesso.
A frustração também atinge 37% das pequenas indústrias, que dependem de capital externo para manter o fluxo de caixa. Em contraste, as grandes empresas conseguem navegar melhor, mas ainda sofrem com a baixa oferta de crédito acessível.
O cenário reflete uma piora generalizada na percepção dos empresários sobre as condições financeiras. Cerca de 35% dos entrevistados afirmaram que o acesso ao crédito piorou significativamente nos últimos meses.
Reflexos no emprego e faturamento real
Apesar de o faturamento real da indústria de transformação ter subido 1,2% em novembro, o mercado de trabalho segue em queda. O emprego industrial registrou a terceira retração consecutiva, com recuo acumulado de 0,6%.
Especialistas apontam que, sem crédito para investir, as empresas focam apenas na manutenção das operações básicas. Essa postura defensiva impede a retomada econômica sustentável e o aumento da massa salarial real, que caiu 2,3% no ano.
A próxima reunião do Copom, marcada para o final de janeiro, é aguardada com apreensão pelo setor. A indústria clama por uma sinalização de queda nas taxas para destravar os investimentos em 2026.