Dólar sobe a R$ 5,46 com nova pesquisa e enfraquece apostas em corte na Selic

Mercado reage a pesquisa eleitoral e ao tom cauteloso do Copom, elevando dólar e reduzindo expectativas de corte da Selic no início de 2026.

O dólar comercial chegou a R$ 5,46 ontem na B3 depois que dados de pesquisas eleitorais e ajustes nas expectativas sobre a política monetária mudaram a percepção dos investidores. O movimento reflete crescente avaliação de risco no cenário político e econômico, reduzindo apostas de que o Banco Central venha a cortar a taxa Selic já em janeiro próximo.

A cotação registrada é vista pelo mercado como resposta a indicadores que sinalizam maior volatilidade política e indefinição quanto ao timing de eventual afrouxamento monetário, mesmo com inflação mais controlada e atividade econômica em ritmo moderado.

As principais instituições financeiras e mesas de câmbio apontam que um cenário eleitoral mais contestado tende a ampliar o prêmio de risco do real frente ao dólar, elevando a cotação da moeda norte-americana e impactando contratos de câmbio, preços de importados e expectativas de inflação.

A trajetória do dólar tem sido influenciada por dados recentes de pesquisas eleitorais que mostram incerteza no quadro para a eleição geral de 2026, com eleitores divididos e sem um consenso claro sobre possíveis vencedores. Esse ambiente tende a conduzir investidores a posições de menor risco, favorecendo a busca por dólares, moeda considerada refúgio em períodos de instabilidade.

Outra variável que pesa sobre o câmbio é a leitura de que o Banco Central do Brasil (Copom) pode não sinalizar um corte da Selic tão cedo, mantendo a taxa básica de juros em níveis elevados por mais tempo. A mais recente decisão de política monetária manteve a Selic em 15%, o patamar mais alto em anos, sem indicação clara de quando cortes poderão ocorrer, apesar de algumas expectativas de mercado apontarem para início de afrouxamento em 2026.

Analistas destacam que, embora a inflação esteja em trajetória descendente e mais próxima da meta, o Copom tem adotado um tom cauteloso, priorizando a estabilidade de preços frente a riscos externos e internos. A ausência de sinais mais fortes para cortar os juros reduz a atratividade de ativos locais em reais, o que pode fortalecer o dólar.

O aumento da cotação do dólar tem reflexos práticos imediatos para o cidadão comum. Custos de viagens internacionais aumentam, assim como preços de produtos importados e itens com componentes adquiridos no exterior. Setores econômicos sensíveis ao câmbio, como tecnologia e bens duráveis, tendem a sentir pressão adicional nos preços ao consumidor.

Investidores observam também movimentos no exterior. A recente redução de taxas pelo Federal Reserve nos Estados Unidos e mudanças no fluxo global de capitais podem influenciar a força do dólar em mercados emergentes, inclusive no Brasil. Esse ambiente global de juros e expectativas afeta diretamente a relação de força entre as moedas e pode acentuar movimentos de alta do dólar frente ao real.

Enquanto isso, o mercado financeiro ajusta continuamente suas projeções de juros, incorporando incertezas políticas e os próximos passos do Copom. A desaceleração das apostas por cortes rápidos na Selic em janeiro sugere que até mesmo eventos futuros de política monetária podem ter impacto limitado a curto prazo, reforçando a volatilidade cambial.

A alta recente do dólar favorece setores exportadores, que recebem em moeda estrangeira, mas pressiona famílias e empresas que dependem de importações ou endividamento em moeda estrangeira. Em um cenário de incerteza prolongada, gestores de recursos ressaltam a importância de estratégias de hedge e diversificação para mitigar volatilidade.

O movimento de alta do dólar mostra como fatores domésticos, como percepções sobre eleições e sinais da autoridade monetária, podem rapidamente influenciar os mercados cambiais. À medida que o ano avança e eventos políticos, econômicos e globais ganham definição, a evolução do câmbio seguirá sendo um termômetro de expectativas e decisões dos agentes financeiros.

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