Dólar supera R$ 5,50 e Bolsa recua com ruído político

O mercado financeiro reagiu com forte pessimismo nesta quarta-feira (17), empurrando a moeda americana para cima e derrubando as ações em meio a incertezas fiscais e novas pesquisas.

O mercado financeiro brasileiro viveu uma jornada de intensa volatilidade nesta quarta-feira, 17 de dezembro de 2025. O dólar comercial encerrou o dia em alta de 1,07%, cotado a R$ 5,52. Este movimento representa a quarta sessão consecutiva de ganhos para a moeda americana frente ao real. Enquanto isso, o Ibovespa registrou queda de 0,79%, situando-se no patamar dos 157 mil pontos.

A aversão ao risco dominou as negociações desde a abertura do pregão. Investidores reagiram negativamente aos novos dados de pesquisas eleitorais que indicam a força do governo atual para o próximo pleito. Além disso, o cenário externo contribuiu para a pressão negativa, com Wall Street operando em baixa. O foco dos agentes econômicos está voltado para a sustentabilidade das contas públicas e os próximos passos do Banco Central.

Ruídos políticos e o impacto fiscal

A tensão em Brasília aumentou após declarações do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele afirmou que o governo herdou um cenário complexo e criticou a relação difícil com o mercado financeiro. Segundo o ministro, os indicadores positivos não são devidamente reconhecidos pelos investidores. Contudo, o mercado demonstra preocupação com o aumento da dívida pública, que segue em trajetória de alta neste final de ano.

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A aprovação de projetos que alteram a tributação de setores específicos também gerou incertezas. Analistas apontam que a falta de um plano de corte de gastos robusto afeta a credibilidade do país. Conforme a declaração de especialistas do setor, o investidor prefere buscar proteção em moedas fortes diante da instabilidade institucional e das dúvidas sobre o cumprimento das metas fiscais estabelecidas para 2025.

Perspectivas para os juros e inflação

O cenário de juros elevados continua no radar dos principais bancos. A taxa Selic, atualmente em 15%, é vista como um freio necessário para conter a inflação, mas penaliza o crescimento econômico. O Comitê de Política Monetária (Copom) mantém uma postura cautelosa, indicando que novos cortes dependem da melhora do cenário macroeconômico. A manutenção dos juros altos nos Estados Unidos também dificulta a vida dos países emergentes como o Brasil.

A disparada da moeda estrangeira impacta diretamente o bolso do consumidor. O repasse para os preços de alimentos e combustíveis é uma ameaça real para o início de 2026. Segundo os dados oficiais da B3, o vencimento de opções sobre o índice também contribuiu para o volume elevado e a queda acentuada das ações. A fuga de capital estrangeiro é outro fator que preocupa o setor produtivo nacional neste momento.

A instabilidade deve permanecer alta nos próximos dias. O mercado aguarda a votação final do Orçamento no Legislativo para ajustar suas projeções. Conforme as informações da CNN Brasil, a relação entre o Executivo e os agentes financeiros atingiu o ponto mais baixo do ano. Sem sinais claros de austeridade, a pressão sobre o câmbio tende a continuar forte.

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