O governo de Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta sua maior crise interna desde a posse, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, manifestando formalmente o desejo de deixar o cargo. O movimento ocorre poucas horas após o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, também pedir para ser exonerado, configurando uma debandada no primeiro escalão.
Interlocutores do Palácio do Planalto afirmam que Haddad se sente isolado nas discussões sobre o corte de gastos e pressionado pela ala política do PT, que defende maior expansão fiscal para 2026. A saída de Lewandowski teria sido o “gatilho” final para o ministro concluir que seu ciclo na Fazenda se esgotou.
O impacto nos ativos brasileiros foi imediato, com o dólar disparando e o Ibovespa operando em forte queda diante da incerteza sobre quem assumirá o comando da economia.
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Lula tenta, em reuniões de emergência, demover Haddad da decisão, oferecendo garantias de que o arcabouço fiscal será preservado. Contudo, a relação entre o ministro e o núcleo político do governo estaria “esgarçada” além do ponto de retorno.
O Efeito Dominó na Esplanada
A saída de dois ministros desse peso sinaliza uma mudança profunda na correlação de forças dentro do governo. Enquanto Lewandowski sai alegando questões pessoais e o cumprimento de sua missão na segurança, Haddad deixa um vácuo técnico que o mercado dificilmente verá preenchido por um nome de perfil político.
A bolsa de apostas para o substituto de Haddad já inclui nomes da ala desenvolvimentista, o que aumenta o temor de uma volta a políticas econômicas de gestões petistas anteriores que resultaram em inflação alta.
Reação do Mercado e Próximos Passos
Analistas financeiros alertam que o Brasil pode sofrer um rebaixamento de sua nota de crédito caso a saída de Haddad resulte no abandono das metas de déficit zero. O Banco Central monitora a situação e não descarta intervenções extraordinárias no câmbio para conter a volatilidade.
A oposição no Congresso já se mobiliza para questionar a estabilidade da gestão e cobrar explicações sobre a debandada ministerial. Segundo informações de bastidores, o clima no Planalto é de “fim de festa” e reavaliação total da estratégia para o último ano de mandato.
Conforme a análise de especialistas políticos, o governo entra agora em um “modo de sobrevivência”, onde a escolha dos novos ministros ditará se haverá fôlego para 2026 ou uma paralisia administrativa completa.