Haddad: Relação com mercado é “difícil” e projeta guerra

Ministro da Fazenda aponta “má vontade” de investidores com o governo e prevê embate ideológico pesado na próxima corrida presidencial.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez um diagnóstico contundente sobre o atual momento político e econômico do país durante um evento em São Paulo. Segundo o titular da pasta, a convivência com o mercado financeiro tem sido “muito difícil” devido ao que ele considera uma resistência ideológica às medidas do governo. Haddad afirmou que os indicadores econômicos positivos não estão sendo suficientes para acalmar os ânimos da Faria Lima.

O ministro destacou que o cenário para as eleições de 2026 já está sendo desenhado sob uma guerra de narrativas intensa. De acordo com Haddad, haverá um esforço para descredibilizar os avanços sociais e fiscais alcançados pela atual gestão. Ele ressaltou que o governo precisa ser mais incisivo na comunicação para não perder a batalha pela opinião pública nos próximos meses.

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Durante sua fala, Haddad mencionou que o ceticismo dos investidores muitas vezes ignora os esforços de arrecadação e controle de gastos. O ministro reforçou que a Fazenda tem cumprido as metas estabelecidas no arcabouço fiscal, mas enfrenta uma “má vontade” recorrente. Para ele, o mercado cobra rigor do governo atual que não cobrava em administrações passadas.

Tensão com o Banco Central e juros

Um dos pontos de maior atrito citados pelo ministro envolve a política monetária e a taxa de juros. Haddad defende que a queda da inflação deveria permitir um corte mais agressivo na Selic, o que estimularia o crescimento. No entanto, a resistência do Banco Central em acelerar essa redução é vista pelo mercado como uma cautela necessária, gerando o impasse descrito pelo ministro.

O ministro acredita que a narrativa de “gastança” é alimentada para justificar a manutenção de juros altos que beneficiam o setor financeiro. Conforme a declaração registrada por jornalistas, essa percepção cria um ambiente de desconfiança que dificulta a atração de novos investimentos produtivos para o Brasil.

Haddad também comentou sobre a pressão para o corte de gastos obrigatórios, especialmente em áreas como saúde e educação. Ele afirmou que o governo está revisando despesas, mas que não aceitará o desmonte de políticas públicas essenciais em nome de um ajuste fiscal cego. Essa queda de braço deve ser o tema central dos debates políticos até o fim do mandato.

Estratégia política para 2026

Mirando o futuro, o ministro da Fazenda indicou que o PT e seus aliados precisam se preparar para um enfrentamento digital e midiático sem precedentes. Ele alertou que o uso de desinformação sobre a saúde da economia será a principal arma da oposição. Haddad defendeu que a melhor resposta para a “guerra de narrativas” é a entrega de resultados concretos na vida da população.

A fala foi interpretada por analistas políticos como um posicionamento de quem pretende ter papel de destaque na sucessão ou reeleição. Segundo dados oficiais de pesquisas recentes, a aprovação da gestão econômica ainda patina em setores de classe média, justamente onde a narrativa do mercado tem mais força.

O desabafo de Haddad ocorre em um momento de volatilidade no câmbio e incertezas sobre o cumprimento da meta de déficit zero. O mercado, por sua vez, rebate as críticas alegando que a falta de clareza sobre cortes estruturais é o que gera a dificuldade de relacionamento. O diálogo entre Brasília e a Faria Lima parece estar em seu ponto mais baixo do ano.

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