Ipanema dispara após boicote contra Havaianas

Marca da Grendene aposta em estética nacional e modelos com camisa do Brasil para atrair público que abandonou a concorrente após comercial ser interpretado como provocação política.

A marca de calçados Ipanema vive um fenômeno de crescimento orgânico e engajamento recorde nas últimas 24 horas. O movimento ocorre em resposta direta ao “cancelamento” sofrido por sua principal concorrente, a Havaianas, que se tornou alvo de críticas severas após lançar uma peça publicitária de fim de ano estrelada pela atriz Fernanda Torres.

O estopim da crise na Havaianas foi uma frase dita pela atriz no comercial: “Desculpa, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito”. Embora o contexto do vídeo sugira que o desejo é começar o ano com “os dois pés”, a fala foi rapidamente interpretada por lideranças políticas e influenciadores de direita como um ataque ideológico.

A Ipanema, percebendo a movimentação, agiu com rapidez cirúrgica no ambiente digital. Milhares de internautas passaram a marcar o perfil da marca, sugerindo a troca imediata de produtos. A empresa respondeu destacando coleções que utilizam a estética “brasilcore”, com modelos vestindo a camisa do Brasil e exaltando a feminilidade tradicional, o que gerou uma identificação imediata com o público dissidente.

Políticos como o senador Cleitinho Azevedo e o deputado Rodrigo Valadares inflamaram o debate ao sugerirem publicamente o uso de marcas alternativas. “Havaianas faz campanha política explícita. Por aqui, vamos de Ipanema”, declarou Valadares em suas redes sociais oficiais nesta segunda-feira.

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Especialistas em branding afirmam que a Ipanema soube capitalizar a falha de comunicação da rival sem precisar atacar diretamente. Ao reforçar sua identidade visual ligada aos símbolos nacionais em um momento de polarização, a marca conseguiu atrair um fluxo de seguidores que se sentiram negligenciados ou ofendidos pela comunicação da Havaianas.

O impacto financeiro desse movimento ainda está sendo calculado, mas as ações da Alpargatas já sentem o peso da pressão negativa nos fóruns de investidores. Enquanto isso, a Grendene observa um aumento significativo na procura por suas linhas clássicas e novas coleções que remetem ao orgulho nacional.

Nas redes sociais, a frase “bora de Ipanema” tornou-se um dos termos mais comentados do dia. A agilidade da equipe de marketing da marca em interagir com esses novos usuários, sem adotar um tom agressivo, foi considerada uma jogada de mestre para consolidar a fidelidade do novo público.

A campanha da Havaianas, que visava focar em sorte e determinação para o ano novo, acabou se tornando um exemplo de como o humor mal calculado pode gerar passivos jurídicos e prejuízos às franquias. Franqueados da marca já expressam preocupação com o impacto direto nas vendas de fim de ano.

Conforme a leitura política do caso, a polêmica transformou um simples par de chinelos em um símbolo de guerra cultural. A Ipanema, ao se posicionar como o porto seguro para quem deseja “entrar com o pé direito”, conseguiu o que muitas marcas gastam milhões para obter: uma defesa apaixonada e espontânea de sua base de consumidores.

Até o fechamento desta edição, a Havaianas não havia emitido um comunicado oficial sobre o bloqueio de comentários em suas redes ou sobre os pedidos de boicote. A expectativa é que a marca tente uma manobra de rebranding emergencial para conter a fuga de clientes para a concorrência antes do Réveillon.

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