Warner rejeita Paramount e mantém fusão com a Netflix

Em tom agressivo, Warner acusa Paramount de enganar investidores e dobra aposta em acordo com a Netflix; fusão criará o maior colosso do streaming mundial.

O conselho de administração da Warner Bros. Discovery (WBD) encerrou meses de especulação nesta quarta-feira ao rejeitar formalmente a oferta hostil de US$ 108,4 bilhões apresentada pela Paramount Skydance. Em uma carta dura enviada aos acionistas a empresa classificou a proposta rival como “inadequada” e “repleta de riscos inaceitáveis”. A decisão mantém o caminho livre para a fusão já acordada com a Netflix avaliada em aproximadamente US$ 83 bilhões.

A WBD foi além das críticas financeiras e acusou a Paramount de “enganar consistentemente” os investidores sobre as garantias da oferta. Segundo o conselho a alegação de que a família Ellison (liderada pelo bilionário da Oracle Larry Ellison) daria um respaldo financeiro total nunca foi comprovada. A Warner descreveu o financiamento da Paramount como dependente de um fundo fiduciário “opaco” e sem transparência real.

A estratégia da Warner foca agora na conclusão do negócio com a Netflix que prevê a entrega dos estúdios Warner Bros. e da HBO Max. Para a diretoria o acordo com o gigante do streaming representa um valor superior e mais seguro para o longo prazo. A transação com a Netflix é considerada vinculante e já possui compromissos de financiamento sólidos e imediatos.

Riscos regulatórios e o papel da Netflix

Um dos pontos centrais da disputa foi o risco de veto por órgãos antitruste nos Estados Unidos e na Europa. A Paramount argumentava que sua oferta enfrentaria um caminho mais fácil por vir de uma empresa de menor porte. No entanto o conselho da Warner contestou essa tese afirmando que não há diferença material no risco regulatório entre as duas propostas.

O co-CEO da Netflix Ted Sarandos comemorou a recomendação do conselho e reforçou que a união é o melhor interesse para os consumidores. A Netflix planeja manter as operações de cinema da Warner e integrar o vasto catálogo de franquias como Harry Potter e DC. Conforme a declaração oficial de analistas o negócio representa uma mudança sísmica no modelo de negócios da gigante de Los Gatos.

A fusão com a Netflix ainda depende da conclusão da separação dos canais a cabo da Warner como a CNN e a TNT Sports. Esse processo deve ser finalizado apenas no terceiro trimestre de 2026 antes da integração total das plataformas. A Paramount por sua vez afirmou que manterá sua oferta de US$ 30 por ação ativa diretamente para os investidores ignorando o conselho.

Consequências financeiras e mercado

O mercado reagiu com volatilidade ao anúncio oficial da rejeição da oferta da Paramount Skydance. As ações da Warner Bros. Discovery registraram queda enquanto os papéis da Netflix operaram em alta no fechamento do pregão. Investidores estão divididos entre a segurança do fluxo de caixa da Netflix e o prêmio financeiro imediato oferecido pela Paramount.

Caso a Warner decida romper o acordo atual com a Netflix para aceitar uma nova proposta ela terá de pagar uma multa de US$ 2,8 bilhões. Esse custo adicional foi citado pelo conselho como um dos muitos “gastos desnecessários” que a oferta da Paramount imporia à companhia. Segundo dados oficiais a votação definitiva dos acionistas deve ocorrer apenas no início do verão americano de 2026.

A Paramount Skydance ainda conta com o apoio de investidores árabes para tentar reverter a decisão. No entanto o envolvimento de capitais estrangeiros gerou novos alertas de segurança nacional por parte do conselho da Warner. O cenário permanece como uma das maiores batalhas corporativas da década em Hollywood.

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