O Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, recebeu autorização para voltar a operar voos internacionais após quase duas décadas de restrições operacionais. A Secretaria Nacional de Aviação Civil emitiu o parecer técnico favorável nesta quarta-feira, 24 de dezembro.
A medida atende a um pedido estratégico da concessionária Aena para modernizar o terminal central da capital paulista. O plano de expansão integra investimentos estimados em R$ 2,5 bilhões na infraestrutura aeroportuária local.
As operações internacionais regulares ocorrerão de forma gradual ao longo dos próximos anos para garantir a segurança dos passageiros. O foco inicial do governo federal reside na aviação executiva e em voos de curta distância.
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A primeira fase do projeto contempla exclusivamente a aviação geral de jatos particulares com início das operações estimado já para 2026. O terminal paulistano estava proibido de receber viagens internacionais desde 2008 após tragédias históricas.
Já os voos comerciais regulares de passageiros devem começar a operar apenas em junho de 2028. Essa data coincide simultaneamente com a entrega do novo terminal de passageiros que a Aena constrói atualmente.
O governo federal fundamentou sua decisão na Política Nacional de Aviação Civil para estimular o trânsito internacional de pessoas e cargas. Consequentemente, o aeroporto passará por uma transformação radical em sua capacidade de atendimento.
Rotas para América do Sul e modernização do terminal
As companhias aéreas planejam oferecer rotas diretas para destinos vizinhos como Argentina, Uruguai e Chile a partir do centro paulista. Esse movimento fortalece a integração regional e impulsiona o desenvolvimento econômico da maior metrópole sul-americana.
O projeto de modernização prevê o aumento das pontes de embarque direto de 12 para 19 unidades. Além disso, a concessionária construirá novos hangares e um pátio de estacionamento de aeronaves mais eficiente e seguro.
Segundo dados oficiais recentes, a meta é atingir 29 milhões de passageiros anuais até o encerramento da concessão em 2053. Atualmente, o fluxo gira em torno de 23 milhões de usuários por ano.
A Secretaria Nacional de Aviação Civil destacou que o projeto está alinhado ao Plano Aeroviário Nacional. Contudo, a autorização final ainda depende da análise criteriosa de outros órgãos fiscalizadores competentes.
Segurança operacional e interesse do mercado aéreo
A internacionalização de Congonhas exige protocolos rígidos de segurança para evitar gargalos logísticos no espaço aéreo saturado. A Aena garante que as obras seguem rigorosamente o cronograma estabelecido no contrato de concessão.
As companhias aéreas já demonstram alto interesse em transferir parte de suas operações premium de Guarulhos para Congonhas. Essa migração beneficiaria diretamente o viajante corporativo que busca agilidade e proximidade com o centro financeiro.
Conforme a declaração de executivos do setor, a retomada cria oportunidades significativas para ampliar a conectividade aérea brasileira. Simultaneamente, as melhorias na eficiência operacional reduzirão os tempos de espera em solo.
A Receita Federal e a Polícia Federal também participam ativamente do processo de planejamento dos novos postos de controle. A estrutura física atual será adaptada para receber os serviços de imigração e alfândega de forma permanente.
O sucesso da internacionalização depende fundamentalmente da conclusão das obras de ampliação do novo terminal. O aeroporto caminha para se tornar um hub regional estratégico dentro da aviação comercial sul-americana nos próximos anos.