Jerônimo Rodrigues inaugura obra com piso tátil para o nada

Obra de duplicação em Vitória da Conquista é questionada por falhas técnicas na acessibilidade; internautas ironizam “caminho para o poste”.

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), entregou nesta terça-feira (30) a obra de duplicação da Avenida Presidente Vargas, em Vitória da Conquista. O evento, que deveria marcar um avanço na mobilidade urbana da terceira maior cidade do estado, transformou-se em alvo de críticas severas. O motivo central da polêmica envolve a execução irregular do piso tátil para pessoas com deficiência visual.

Imagens registradas logo após a inauguração mostram que a sinalização de acessibilidade leva o pedestre diretamente para obstáculos físicos ou áreas sem saída. Em um dos trechos, o piso tátil termina bruscamente em um poste de iluminação, enquanto em outros ele conduz a pessoa para o meio de canteiros de grama. A falha técnica ignora as normas básicas de engenharia voltadas à inclusão social.

A intervenção faz parte de um pacote de investimentos estaduais que somam milhões de reais em infraestrutura para o interior baiano. Durante a cerimônia oficial, o mandatário celebrou a modernização da via, destacando a nova iluminação e a ciclofaixa instalada no canteiro central. Todavia, a execução do projeto de acessibilidade demonstrou uma desconexão preocupante com a realidade do usuário final.

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Internautas e especialistas em mobilidade urbana reagiram com ironia e indignação nas redes sociais após a divulgação dos vídeos da obra. Muitos questionaram como uma obra pública passa por processos de fiscalização e inspeção sem que um erro tão evidente de segurança seja corrigido antes da entrega. O perigo é real: um deficiente visual pode sofrer uma colisão frontal ou ser atropelado ao tentar desviar dos obstáculos.

Falhas técnicas e riscos à segurança pública

A Avenida Presidente Vargas possui 3,2 quilômetros de pistas duplicadas e é considerada um corredor estratégico para o escoamento do tráfego local. Entretanto, a falta de continuidade no piso tátil e a ausência de sinalização sonora em semáforos tornam a via hostil para pedestres vulneráveis. A situação expõe a fragilidade da gestão de projetos dentro da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder).

Especialistas alertam que o piso tátil não é apenas um adorno estético, mas uma ferramenta de orientação vital. Conforme a declaração de profissionais de acessibilidade, o término abrupto da trilha sem indicação de alerta pode causar desorientação espacial completa. Consequentemente, o cidadão perde a referência de segurança e pode acabar invadindo a pista de rolagem dos veículos em alta velocidade.

Repercussão política e cobrança por reparos

O episódio gerou um desgaste político imediato para a gestão de Jerônimo Rodrigues, que tem focado em agendas de inaugurações no final de 2025. A oposição no estado já sinaliza que pedirá esclarecimentos sobre os critérios de aprovação técnica dessa obra específica. O governo estadual ainda não detalhou se haverá uma reforma imediata nos pontos críticos identificados pela população em Vitória da Conquista.

A entrega de obras com defeitos estruturais levanta dúvidas sobre a qualidade dos contratos firmados pelo estado. Segundo dados oficiais de portais como o Acesse Política, a modernização da via vira um “investimento estéril” quando falha em seu propósito básico de segurança. A repercussão do “piso para lugar nenhum” deve pautar os debates sobre acessibilidade nas próximas semanas.

O governador defendeu a qualidade da pavimentação e da iluminação, mas o foco da opinião pública permanece na falha de inclusão. Muitos moradores afirmam que a avenida ficou “bonita para vídeos”, mas perigosa na prática cotidiana. Conforme reportado pelo portal O Antagonista, o caso já é tratado como um exemplo de desperdício de recurso público em sinalizações ineficazes e sem planejamento técnico adequado.

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