A sessão do Tribunal do Júri em Cuiabá terminou de forma abrupta nesta semana após um intenso desentendimento em plenário. A juíza Mônica Perri, da 1ª Vara Criminal, determinou a suspensão dos trabalhos durante o julgamento de um policial civil. O réu responde pelo homicídio de um policial militar ocorrido no ano de 2018.
O clima pesou quando a magistrada e os advogados de defesa iniciaram uma discussão acalorada sobre os ritos processuais. Segundo testemunhas, o embate verbal impediu a continuidade da oitiva de testemunhas e a análise de provas. Consequentemente, a magistrada entendeu que não havia condições de manter a ordem na sessão.
Crise institucional no Tribunal do Júri
O caso possui alta sensibilidade por envolver membros de instituições de segurança distintas. Além disso, a defesa alega cerceamento de direitos durante a condução dos trabalhos pela juíza. Por outro lado, o Ministério Público acompanhou a decisão de suspensão para evitar futuras nulidades no processo.
A discussão central girou em torno da ordem de perguntas e do comportamento das partes durante os depoimentos. No entanto, o estatuto da magistratura prevê que o juiz presidente tem o poder de polícia para dissolver o conselho de sentença em casos extremos. A data para um novo julgamento ainda não foi definida.
Consequências jurídicas da suspensão
A interrupção do júri gera um prejuízo imediato ao cronograma do Poder Judiciário de Mato Grosso. Conforme a legislação processual penal, a dissolução do júri obriga a convocação de novos jurados para uma data futura. Este adiamento prolonga a espera das famílias da vítima e do acusado por uma sentença definitiva.
Advogados criminalistas que acompanham o caso afirmam que episódios como este são raros em julgamentos de crimes contra a vida. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT) deve analisar a conduta dos envolvidos para verificar se houve excessos. A segurança no fórum foi reforçada após a confusão generalizada.