A Justiça de Mato Grosso decidiu manter a prisão do tenente da PM Rennan Albuquerque de Melo em Cuiabá por tentativa de homicídio. O magistrado Jurandir Florêncio de Castilho Júnior rejeitou o pedido de liberdade da defesa durante o plantão judiciário. O oficial da Polícia Militar deve permanecer custodiado em uma unidade militar por pelo menos 30 dias enquanto as investigações avançam.
O crime ocorreu no dia 19 de dezembro nas proximidades de um shopping de elite na capital mato-grossense. Rennan dirigia um veículo de luxo e colidiu propositalmente contra o carro da vítima. O motorista de aplicativo, de 30 anos, tentou cobrar os danos causados no trânsito. Entretanto o militar reagiu com violência e efetuou disparos de arma de fogo contra o trabalhador.
A vítima foi atingida na cabeça e na perna durante o ataque inesperado. Mesmo ferido o motorista conseguiu dirigir até uma unidade de saúde para receber socorro imediato. A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa assumiu o caso logo após o registro da ocorrência. Os investigadores descobriram que o tenente tentou criar uma narrativa falsa para encobrir o crime.
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Rennan Albuquerque de Melo teria forjado o furto do próprio carro após a tentativa de assassinato. A esposa do militar também é investigada por participar da falsa comunicação de crime. A Polícia Civil utilizou imagens de câmeras de monitoramento para desmentir a versão do casal. Além disso o oficial estava com o porte de arma suspenso desde janeiro deste ano.
A trajetória do tenente é marcada por diversos episódios de agressividade extrema. Segundo dados oficiais o militar já foi flagrado enforcando um adolescente e agredindo um idoso de 60 anos em ocasiões anteriores. Essas informações reforçaram o entendimento da Justiça sobre o perigo que o acusado representa para a ordem pública.
O juiz destacou na decisão que a segregação cautelar é necessária para garantir a instrução criminal. O tenente é conhecido no meio policial como “Ciborgue” e já estava afastado de suas funções operacionais. A Corregedoria da Polícia Militar acompanha o desdobramento do inquérito para aplicar as sanções administrativas cabíveis. Conforme a declaração do magistrado a prisão temporária deve ser cumprida em um dos batalhões da instituição.
Histórico de violência e fraude processual
As investigações apontam que o comportamento reincidente do oficial não foi inibido por medidas administrativas anteriores. A quebra do sigilo telefônico da esposa do militar também foi autorizada pela Justiça estadual. O objetivo é identificar se houve auxílio de terceiros para ocultar a arma utilizada no crime. O armamento ainda não foi localizado pelos agentes da Delegacia de Homicídios.
A Polícia Civil trabalha agora para concluir o inquérito e indiciar o tenente por homicídio qualificado. A fraude processual e a falsa comunicação de crime também somam-se às acusações formais. O motorista de aplicativo recebeu alta hospitalar mas segue em recuperação sob acompanhamento médico. A categoria de transportes por aplicativo em Cuiabá planeja manifestações para cobrar punição exemplar.
Próximos passos do processo judicial
O Ministério Público de Mato Grosso deve apresentar a denúncia formal nos próximos dias. Caso a Justiça aceite a peça acusatória Rennan Albuquerque de Melo passará a figurar como réu. A defesa do militar alega que não houve intenção de matar e busca a desclassificação do crime. Contudo os vídeos coletados mostram o oficial descendo do carro com arma em punho.
A manutenção da prisão preventiva é vista como uma vitória pela família da vítima. O caso reacende o debate sobre o desarmamento de agentes que apresentam distúrbios de comportamento. A sociedade mato-grossense exige transparência máxima na condução deste processo criminal. O comando da Polícia Militar reiterou que não compactua com desvios de conduta de seus oficiais.