MP denuncia jovem por omissão de socorro no Pico do Paraná

Omissão de socorro na montanha: Ministério Público processa jovem que deixou parceiro de trilha sozinho em situação de risco extremo durante o Réveillon.

O Ministério Público do Paraná (MPPR) apresentou denúncia formal contra Thayane Smith, de 19 anos, pelo crime de omissão de socorro. O episódio ocorreu durante uma expedição ao Pico do Paraná, o ponto mais alto do Sul do Brasil, entre os dias 31 de dezembro e 1º de janeiro. A jovem é acusada de abandonar Roberto Faria Tomaz, também de 19 anos, em um trecho crítico da montanha após o rapaz apresentar sérias dificuldades físicas.

De acordo com a investigação, o casal subia a montanha para passar a virada de ano no cume. No entanto, Roberto começou a sofrer com o cansaço extremo e sintomas de hipotermia devido às condições climáticas adversas. Em vez de prestar auxílio ou solicitar resgate imediato, Thayane teria seguido o percurso sozinha, deixando o companheiro exposto a riscos de queda e exposição severa aos elementos.

O rapaz foi localizado horas depois por outros trilheiros que subiam a montanha. Roberto estava desorientado e precisou de ajuda urgente para ser retirado da área de risco. O MPPR sustenta que a denunciada tinha o dever moral e legal de não abandonar o parceiro em um ambiente de sobrevivência, onde a ajuda mútua é a regra fundamental de segurança.

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A promotoria solicita que Thayane pague uma indenização por danos morais à vítima, além de responder criminalmente pela omissão. Especialistas em direito penal explicam que a omissão de socorro é qualificada quando resulta em perigo grave e ocorre em local de difícil acesso. A Justiça já recebeu a denúncia e a defesa da jovem terá prazo legal para apresentar os esclarecimentos sobre o ocorrido na trilha do Ibitiraquire.

Ética no Montanhismo e Responsabilidade Legal

O caso gerou um intenso debate entre profissionais de resgate e esportistas de aventura. O abandono em montanha é considerado uma das maiores infrações éticas no esporte, mas este processo eleva a discussão para a esfera criminal. O Ministério Público reforça que, em situações de isolamento, a vida do próximo depende diretamente da assistência de quem está presente no local.

A defesa de Thayane ainda não se manifestou publicamente sobre os detalhes da denúncia. Contudo, relatos preliminares indicam que houve uma divergência sobre a gravidade da situação no momento da separação do casal. A perícia técnica do Corpo de Bombeiros foi anexada ao processo para comprovar que a vítima corria risco real de morte se não fosse encontrada por terceiros.

Consequências e Próximos Passos

Se condenada, a jovem pode enfrentar penas que variam de multa a detenção, além do pagamento da reparação financeira. O valor da indenização sugerido pelo MP visa cobrir os danos psíquicos sofridos por Roberto e servir como exemplo para a comunidade de trilheiros. O processo segue agora para a fase de oitiva de testemunhas e análise de vídeos feitos por outros montanhistas durante o Réveillon.

O Parque Estadual Pico do Paraná, onde o incidente aconteceu, é conhecido por exigir preparo físico e equipamentos adequados. Autoridades ambientais estudam aumentar a fiscalização e a exigência de cadastro para subidas em datas festivas. O desfecho do caso Thayane Smith será um marco para a jurisprudência brasileira em acidentes e incidentes ocorridos em áreas remotas.

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