O deputado federal Marcel van Hattem (NOVO-RS) utilizou suas redes sociais e a tribuna da Câmara dos Deputados para fazer uma denúncia de alto impacto, alegando que ele e os colegas Coronel Chrisóstomo Pollon (PL-MS) e Zé Trovão (PL-SC) foram escolhidos como “boi de piranha” em uma manobra política que visa suspendê-los de seus mandatos por seis meses. Van Hattem afirmou que o risco de suspensão é real e faz parte de uma estratégia de intimidação contra parlamentares da direita e da oposição.
A crise se intensificou após a abertura de processos no Conselho de Ética da Casa, que estão sendo conduzidos com o que o deputado chamou de “celeridade seletiva”. Segundo Van Hattem, a suspensão de seis meses, caso aprovada, é uma punição desproporcional. Ele aponta que a medida tem o objetivo de servir de exemplo para outros parlamentares, forçando-os a adotar uma postura mais moderada e calando vozes críticas ao atual sistema político e judicial.
A acusação de “boi de piranha” implica que os três deputados foram escolhidos estrategicamente para desviar a atenção de questões políticas maiores. A escolha destes nomes, todos alinhados à oposição mais contundente, não seria aleatória, mas sim cirúrgica, visando desmantelar a capacidade de articulação e fiscalização do Executivo e do Judiciário por parte da direita.
O Contexto do Risco de Suspensão de Mandato
O cerne dos processos contra os três deputados reside em falas e posicionamentos considerados, pela base governista, como ataques à democracia ou conduta incompatível com o decoro parlamentar. Embora os casos específicos sejam distintos, o fio condutor, na visão de Van Hattem, é a tentativa de impor limites à liberdade de expressão dentro e fora do Congresso.
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar é o órgão da Câmara responsável por julgar denúncias contra deputados. O processo pode levar a diferentes punições, sendo a suspensão temporária do mandato uma das mais graves antes da cassação. Se a suspensão for aprovada por maioria simples no Conselho e, posteriormente, em plenário, os deputados ficarão impedidos de exercer suas funções por todo o período, perdendo salário e direitos.
A manobra é vista pelo grupo de Van Hattem como uma forma de enfraquecer a bancada de oposição, retirando temporariamente três votos importantes e figuras de liderança em momentos cruciais de votação de projetos polêmicos, como a PEC da Blindagem ou reformas econômicas.
Marcel van Hattem: O Perfil de um Líder Liberal
Marcel van Hattem, de 37 anos, é uma das principais vozes do liberalismo e da direita no Congresso. Deputado federal pelo Rio Grande do Sul, ele ganhou notoriedade pela defesa enfática da liberdade individual, da redução do Estado e de duras críticas ao ativismo judicial.
Sua ascensão no cenário político foi marcada pela atuação incisiva como ex-líder da oposição na Câmara, sendo um dos deputados mais jovens a assumir esse posto de destaque. Sua capacidade de articulação e oratória o tornaram uma figura central para a direita.
Van Hattem tem um histórico de embates diretos com membros do Supremo Tribunal Federal (STF) e com o governo. Ele foi um dos primeiros a denunciar o que chamou de “ditadura do politicamente correto” e o cerceamento da liberdade de expressão nas redes sociais e plataformas digitais.
Pollon e Zé Trovão: Figuras Chave no Processo
Os outros dois deputados citados, Coronel Chrisóstomo Pollon (PL-MS) e Zé Trovão (PL-SC), também possuem forte engajamento popular e posicionamentos firmes de direita. Coronel Pollon, por sua formação militar, tem um discurso focado na segurança pública e na defesa das Forças Armadas.
Zé Trovão, por sua vez, é um líder caminhoneiro que ganhou visibilidade nacional por mobilizações de classe. Seu discurso direto e popular o conecta a uma base eleitoral diferente, mas igualmente engajada.
A união dos três nomes sob a mesma ameaça reforça a tese do deputado gaúcho de que o movimento no Conselho de Ética é coordenado. Não se trataria de casos isolados, mas de uma ação concentrada para atingir o coração da oposição.
A Cronologia da Perseguição e a Voz da Defesa
As denúncias que resultaram nos processos de suspensão têm datas diversas, mas ganharam força nas últimas semanas. A aceleração da tramitação no Conselho de Ética é o que mais preocupa os parlamentares. Van Hattem e seus advogados alegam que houve quebra de prazos regimentais e que o direito à ampla defesa está sendo negligenciado em favor de uma punição rápida e exemplar.
O deputado do NOVO destacou que, historicamente, o Conselho de Ética leva meses, e por vezes anos, para concluir processos de menor gravidade. A pressa atual sugere que a decisão já estaria tomada nos bastidores. “Não se trata de um julgamento, mas sim de uma condenação política pré-estabelecida,” afirmou o parlamentar em sua denúncia.
A defesa dos três deputados se concentra na inviolabilidade parlamentar, prevista na Constituição Federal, que garante aos congressistas imunidade por suas opiniões, palavras e votos. Eles argumentam que suas falas, mesmo que consideradas fortes, estão dentro do espectro da crítica política legítima.
As Reações da Oposição e a Mobilização Imediata
A denúncia de Marcel van Hattem gerou uma onda de apoio e indignação na bancada de oposição. Líderes de partidos como o PL e o Republicanos manifestaram solidariedade e prometeram obstruir a pauta do plenário caso a suspensão seja levada a voto. A hashtag #SomosTodosVanHattem ganhou força nas redes sociais, mobilizando a base de apoio.
Nas redes, a narrativa de “censura” e “perseguição” domina o debate. Milhares de eleitores dos deputados veem a ação do Conselho de Ética como uma tentativa de silenciar seus representantes legitimamente eleitos. Isso cria um clima de tensão política extrema no Congresso.
A situação do Conselho de Ética, frequentemente acusado de funcionar como um “balcão de negócios” político, ganha agora um novo nível de escrutínio. A transparência e a imparcialidade do processo são questionadas abertamente.
O Risco da Suspensão para o Debate Político
A suspensão de um mandato por seis meses é um golpe duro, não apenas para o parlamentar, mas para a representação popular. O deputado suspenso é substituído por um suplente, que pode ter uma linha ideológica completamente diferente. No caso, a suspensão de três nomes proeminentes da direita poderia alterar o equilíbrio de forças em votações cruciais.
A grande preocupação é o precedente. Se for confirmada a suspensão por longos seis meses, isso abrirá uma porta perigosa para que a maioria de ocasião utilize o Conselho de Ética como ferramenta de guerra política, intimidando e silenciando a oposição.
A luta de Van Hattem, Pollon e Zé Trovão, portanto, transcende seus mandatos individuais. Ela se torna um símbolo da batalha pela liberdade de expressão e pelo respeito à minoria dentro do Parlamento, em um momento de alta polarização. O Brasil acompanha com atenção os próximos passos do Conselho de Ética.