Agricultores sitiam Bruxelas contra o acordo UE-Mercosul

Manifestantes incendeiam pneus e lançam ovos contra policiais durante cúpula decisiva; resistência liderada pela França coloca em xeque assinatura do tratado prevista para sábado.

Cerca de 10 mil agricultores tomaram as ruas de Bruxelas nesta quinta-feira em um dos maiores protestos contra a União Europeia dos últimos anos. Os manifestantes protestam contra a assinatura do acordo de livre comércio com o Mercosul, que inclui o Brasil. Mais de mil tratores bloquearam o acesso ao bairro europeu, onde os líderes do bloco estão reunidos para uma cúpula decisiva.

A manifestação rapidamente escalou para cenas de violência diante do Parlamento Europeu. Grupos de produtores rurais incendiaram pneus, lançaram batatas, ovos e fogos de artifício contra a polícia de choque. Em resposta, as forças de segurança belgas utilizaram canhões de água e gás lacrimogêneo para dispersar a multidão que tentava romper as barreiras de proteção.

O setor agrícola europeu teme que a entrada de produtos sul-americanos, como carne e soja, destrua a competitividade local. Eles alegam que as exigências ambientais e sanitárias impostas na Europa não são cumpridas pelos países do Mercosul. A revolta dos produtores ocorre em um momento de extrema fragilidade econômica para as pequenas propriedades rurais do continente.

Pressão política e o veto da França

O presidente francês Emmanuel Macron reforçou hoje que o acordo não pode ser assinado em sua forma atual. A França lidera uma resistência que agora conta com o apoio estratégico da Itália, dificultando os planos da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Segundo dados oficiais de segurança, pelo menos um ferido foi registrado durante os tumultos desta manhã.

A resistência interna na Europa coloca o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, em uma posição delicada. Lula esperava concluir o tratado até o próximo sábado em Foz do Iguaçu como uma vitória diplomática. Contudo, conforme a declaração de líderes europeus, as discussões sobre salvaguardas ambientais mais rígidas podem adiar a formalização para janeiro.

Impactos para o agronegócio brasileiro

Caso o acordo seja travado, o agronegócio do Brasil pode perder uma redução tarifária bilionária em exportações estratégicas. O tratado prevê que carnes e produtos agrícolas sul-americanos paguem tarifas reduzidas para entrar no mercado europeu. Por outro lado, os defensores do pacto argumentam que ele é vital para reduzir a dependência comercial da China e dos Estados Unidos.

A cúpula em Bruxelas deve continuar ao longo da noite para tentar encontrar um consenso mínimo. Enquanto isso, os sindicatos rurais prometem manter os bloqueios nas estradas que cercam a capital belga por tempo indeterminado. A situação permanece tensa e o futuro comercial de dois continentes depende agora de uma manobra política de última hora no Conselho Europeu.

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