A Al Jazeera exibiu documentário que inclui vídeo de alta qualidade mostrando bombardeio em Teerã. O material revela momento exato do ataque à Praça Tajrish durante ofensiva israelense. A produção “Alvo Teerã” foi lançada esta semana pela unidade investigativa Fault Lines. O documentário investiga custo humano da guerra de 12 dias entre Israel e Irã.
As imagens de câmeras de segurança mostram dois mísseis israelenses atingindo área movimentada. O primeiro projétil atinge um prédio causando grande explosão. O segundo míssil cai no cruzamento entre carros. A força da explosão lança veículos ao ar espalhando destroços pela região.
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O ataque ocorreu em 15 de junho de 2025 por volta das 15h30 horário local. A Praça Quds em Tajrish estava movimentada com vendedores, compradores e passageiros do metrô. Muitos moradores ainda não haviam deixado a capital para locais mais seguros. O vídeo contradiz alegação inicial de Israel sobre alvos militares.
O Irã afirmou que 17 civis morreram no bombardeio de Tajrish. Entre as vítimas estavam criança de três anos, adolescente de 16 anos e mulher grávida. Outras 46 pessoas ficaram feridas segundo autoridades iranianas. O ataque não teve caráter estratégico militar na área atingida.
Documentário revela extensão dos ataques civis
A Al Jazeera raramente consegue autorização para reportar dentro do Irã. A equipe do Fault Lines obteve acesso excepcional a locais bombardeados em Teerã. Jornalistas visitaram sites onde civis incluindo crianças foram mortos. O documentário identificou 33 crianças mortas na guerra.
Israel lançou Operação Leão Ascendente em 13 de junho de 2025. Os ataques visaram instalações nucleares, alvos militares e áreas residenciais. Estados Unidos realizaram ataques complementares contra sites nucleares iranianos em 22 de junho. Pelo menos 1.064 iranianos morreram segundo cifras oficiais.
O Irã retaliou com mísseis e drones matando 32 pessoas em Israel. As autoridades israelenses confirmaram baixas em território nacional. A guerra durou 12 dias até cessar-fogo em 24 de junho. O conflito representou maior ataque a Teerã desde década de 1980.
Um dos primeiros alvos foi Complexo Chamran, prédio residencial de 14 andares. O edifício tinha ligação com Ministério da Defesa iraniano. Amirali e seu pai dormiam no apartamento quando foram mortos. A criança faleceu nos primeiros momentos da guerra.
Cientistas nucleares mortos em residências
Israel atacou Complexo Residencial Sarv dos Professores, edifício de 16 andares. O alvo era Dr. Mohamed Mehdi Tehranchi, especialista nuclear e presidente de universidade. Tehranchi foi morto junto com esposa enquanto dormiam no sexto andar. Outras 14 pessoas morreram no prédio.
Israel acusou Tehranchi de trabalhar no desenvolvimento de explosivos nucleares. Os Estados Unidos sancionaram o cientista pelas mesmas alegações. O filho Mohamed Reza negou veementemente as acusações. Defendeu que pai trabalhava em energia nuclear pacífica.
O ataque em Tajrish visava cientista nuclear Mohammad-Reza Sadighi. O pesquisador sobreviveu a ataque israelense anterior em Teerã. Sadighi perdeu filho Hamidreza de 17 anos no bombardeio aéreo. A operação atingiu via pública densamente povoada.
O bombardeio danificou tubulação principal de água causando inundações extensas. Vídeos anteriores mostrados nas redes sociais documentaram alagamento. A interrupção do fornecimento de água afetou bairros inteiros. Moradores enfrentaram escassez de serviço essencial.
Ataque à prisão considerado crime de guerra
No 11º dia da ofensiva, Israel atacou Prisão de Evin durante horário de visitas. Autoridades iranianas relatam 80 civis mortos tornando-o ataque mais letal. Human Rights Watch classificou como aparente crime de guerra. Anistia Internacional afirmou constituir séria violação do direito internacional.
O ministro de Relações Exteriores de Israel Gideon Saar publicou vídeos do ataque. Militares tentaram justificar chamando Evin de símbolo de opressão. Autoridades israelenses alegaram que prisão abrigava operações de inteligência. Porta-voz militar declarou que ataque foi preciso para minimizar danos.
O documentário apresenta testemunhos de famílias que perderam entes queridos. Atleta de taekwondo Amin Ahmad testemunhou morte horrível do pai. O professor foi lançado para fora da casa com rosto queimado. Ahmad e mãe ficaram presos precisando escapar pela janela.
Instrutora de pilates Niloufar Ghalehvand morreu junto com pais em casa. A vítima de 32 anos vivia perto de residência de comandante militar iraniano. Amiga relatou que Ghalehvand desejava viver em paz como pessoas de outros países. Planos de aniversário foram interrompidos pela morte.
População fugiu em pânico da capital
Moradores de Teerã fugiram da cidade em massa durante ataques. Postos de gasolina ficaram lotados com filas quilométricas. Rodovias registraram congestionamentos sem precedentes. Casas que prometiam segurança mostraram-se vulneráveis.
A capital iraniana não possui abrigos de emergência adequados. Sistemas de sirenes de alerta são inexistentes ou insuficientes. Residentes relatam céu noturno pontilhado por mísseis e incêndios. Cenas evocam memórias da guerra Irã-Iraque mas no coração da capital.
Evidências de vidas perdidas emergem dos escombros de prédios bombardeados. Corpo sem vida de criança entre destroços. Boneca coberta de terra abandonada na rua. Caderno de desenhos perdido entre concreto e poeira.
Jovem iraniana Hania Azizi filmou funeral de crianças mortas inicialmente por visualizações. A experiência provocou transformação profunda em sua consciência. Descreveu como despertar súbito para realidade da guerra. Jovens iranianos mobilizaram-se nacionalmente após ataques.
Vídeos circulam nas redes mostrando indignação
Diversos vídeos com milhões de visualizações circularam nas redes sociais. Jovem na Praça Azadi gritou ao microfone recusando evacuar Teerã. Dunya Abdi ironizou imprensa que atribuiu explosão em Tajrish a problema hidráulico. Afirmou que Irã iluminou cidades israelenses com mísseis hipersônicos.
Movimento tomou proporções nacionais com hashtags em persa. Mensagens como “por meu Irã” e “minha vida pelo Irã” inundaram redes. Até antigos apoiadores de protestos gravaram declarações de arrependimento. Denunciaram uso da juventude como massa de manobra imperialista.
O documentário contextualiza tentativa de influenciar geração Z iraniana. Jovens nascidos após guerra contra Iraque foram alvo de propaganda ocidental. Bombardeios de junho provocaram reação oposta ao esperado. Juventude assumiu defesa da soberania nacional.
A emissora catariana Al Jazeera publicou que ação teve resultado inverso. Geração Z desmantelou bilhões em investimentos midiáticos destinados a dividir país. A morte tornou-se realidade e inimigo ficou evidente. Jovens entenderam responsabilidade de defender identidade nacional.
Impactos da guerra vão além de baixas
Israel visou instalações nucleares iranianas durante campanha. Ataques americanos complementares atingiram plantas de Natanz, Fordow e Isfahan. Operações causaram dano significativo ao programa nuclear iraniano. Israel também atacou infraestrutura de mísseis balísticos.
Numerosos comandantes militares seniores foram mortos durante campanha. Principais cientistas nucleares eliminados em ataques direcionados. Operações militares penetraram quartos, cozinhas e salas de civis. Vítimas estavam tão distantes da política quanto possível.
A internet no Irã foi interrompida desde primeiro dia da guerra. Acesso foi completamente cortado em 17 de junho. Serviço parcial retornou mas velocidade permanece severamente limitada. Associação de Negócios da Internet calcula perdas de 1,5 milhão de dólares por hora.
Mais de 400 mil pequenas e médias empresas enfrentam colapso completo. Meios de subsistência de milhões de iranianos dependem desses negócios. Restrições à internet podem sinalizar intensificação de guerra cibernética. Autoridades foram instadas a encerrar interrupções deliberadas.
Direito internacional e investigações futuras
Especialistas em direito internacional consideram evidências raras. Rodney Dixon afirmou que vídeos constituem tesouro probatório. Documentação pode servir em eventuais investigações de crimes de guerra. Organizações de direitos humanos pedem apurações criminais.
O material reunido pela Al Jazeera inclui imagens de múltiplas fontes. Câmeras de segurança captaram momentos precisos dos ataques. Testemunhos de sobreviventes complementam registro visual. Documentário apresenta quadro abrangente do custo humano.
A produção “Alvo Teerã” integra série Fault Lines da emissora. O programa investiga questões de direitos humanos globalmente. Equipe obteve acesso excepcional em país fechado a mídia ocidental. Reportagem representa trabalho jornalístico investigativo de alto nível.
Negociações sobre enriquecimento de urânio iraniano colapsaram após ataques. Israel atacou Teerã no meio de conversas diplomáticas. Estados Unidos se juntaram ao ataque dez dias após início israelense. Cessar-fogo foi alcançado mas tensões permanecem elevadas.