Delcy Rodríguez nega controle dos EUA sobre a Venezuela

Presidente interina rechaça declarações de que Washington está “no comando” e exige respeito à soberania, enquanto Trump ameaça novos ataques militares.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, rebateu duramente as declarações de Donald Trump nesta semana. Ela afirmou que o país não aceitará ser tratado como uma “colônia” norte-americana após a operação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro. Rodríguez assumiu o poder na última segunda-feira (5), após ser referendada pelo Supremo Tribunal de Justiça conforme a Constituição nacional.

Donald Trump declarou publicamente que os Estados Unidos estão “no comando” e que a transição política será administrada diretamente pela Casa Branca. No entanto, Rodríguez enfatizou que a relação com Washington deve ser baseada na igualdade e no respeito ao direito internacional. Ela defendeu um diálogo equilibrado, ressaltando que o povo venezuelano merece paz e não uma nova guerra civil.

A tensão aumentou significativamente quando o governo americano sugeriu que assumiria a gestão da indústria petrolífera local. Trump afirmou que pretende controlar a exportação e venda do petróleo para recuperar investimentos e “garantir a segurança” regional. O anúncio gerou reações imediatas em Caracas, onde aliados do chavismo prometem resistência contra o que chamam de imperialismo explícito.

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Especialistas em relações internacionais apontam que Trump está jogando com a instabilidade interna para extrair concessões econômicas massivas. O presidente americano descartou a realização de novas eleições nos próximos 30 dias, alegando que o país precisa primeiro “recuperar a saúde” institucional. Essa postura confronta diretamente o plano de Delcy Rodríguez, que busca consolidar sua autoridade sob a sombra das forças armadas venezuelanas.

Disputa pelo Petróleo e Soberania

A queda de Maduro provocou um vácuo de poder que os Estados Unidos tentam preencher com rapidez cirúrgica. O secretário de Estado, Marco Rubio, reforçou a tese de que o hemisfério ocidental pertence à zona de influência americana, utilizando o slogan “Este é o nosso hemisfério” nas redes oficiais. Rodríguez, por sua vez, tenta manter o apoio dos generais nacionais para evitar uma fragmentação do Estado.

O controle das reservas energéticas é o ponto central da discórdia entre as nações. Enquanto Washington planeja administrar os recursos naturais, o governo interino de Caracas insiste que qualquer exploração deve ser conduzida sob leis nacionais. A anexação administrativa proposta por Trump é vista por historiadores como um retorno às intervenções militares mais agressivas do século passado.

Reações Internacionais e Futuro

A comunidade global observa a crise com extrema preocupação. Países como Brasil, México e Colômbia já criticaram a operação militar, alegando violações graves aos tratados de paz continentais. A ONU alertou que a ação militar americana tornou o “mundo menos seguro”, abrindo precedentes perigosos para a ordem mundial.

Rodríguez sinalizou que está pronta para cooperar, mas apenas se os interesses venezuelanos forem preservados de forma soberana. Trump reagiu com ceticismo e ameaçou novas retaliações caso a presidente interina não siga as diretrizes estabelecidas por Washington. O futuro da Venezuela permanece incerto enquanto as duas potências políticas medem forças pelo destino do território sul-americano.

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