A União Europeia e o Mercosul selaram formalmente a criação da maior zona de livre-comércio do planeta neste sábado. A assinatura do documento ocorreu em Assunção, no Paraguai, local simbólico onde o tratado de fundação do bloco sul-americano foi firmado décadas atrás. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, classificou o momento como a “conquista de uma geração”.
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O novo mercado integrado abrange cerca de 20% do PIB global e atende a uma população de mais de 700 milhões de cidadãos. Consequentemente, o pacto prevê a eliminação de tarifas sobre a grande maioria dos bens comercializados entre as duas regiões. Setores como o químico, o farmacêutico e o de agronegócio devem sentir os primeiros efeitos positivos da parceria em breve.
A negociação, que durou um quarto de século, enfrentou resistências internas significativas até os momentos finais. Entretanto, o avanço do protecionismo em outras potências globais acelerou a busca por parcerias mais estáveis e previsíveis. O acordo agora entra em uma fase de análise legislativa detalhada em diversos países membros.
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A implementação do tratado ocorrerá de forma gradual ao longo dos próximos anos para garantir a adaptação das indústrias locais. Além disso, o texto final inclui salvaguardas ambientais rigorosas, especialmente voltadas para a preservação de biomas sul-americanos. Especialistas apontam que essa cooperação fortalece a soberania estratégica de ambos os blocos em um cenário internacional fragmentado.
Os benefícios econômicos estimados incluem a criação de milhares de novos postos de trabalho em ambos os lados do Atlântico. A redução de impostos sobre produtos eletrônicos e vinhos europeus é uma das mudanças mais aguardadas pelos consumidores brasileiros. Contudo, o setor agrícola europeu ainda mantém certa cautela sobre o volume de importações de carnes.
O sinal enviado ao mundo é de que a cooperação multilateral permanece como a via preferencial para o crescimento sustentável. A ratificação final no Parlamento Europeu deve ocorrer nos próximos meses, sob forte observação de grupos econômicos. Este movimento reposiciona o Brasil como um parceiro comercial de peso no cenário europeu moderno.