O governo do Canadá anunciou nesta sexta-feira uma mudança drástica em sua política comercial externa. O primeiro-ministro Mark Carney confirmou a redução da tarifa de 100% sobre veículos elétricos fabricados na China. A decisão marca um rompimento com a estratégia de proteção adotada anteriormente em conjunto com os Estados Unidos.
Esta medida ocorre após dois dias de negociações intensas em Pequim com o presidente Xi Jinping. O objetivo central é baratear o custo de vida dos canadenses e fomentar a transição energética no país. Carney destacou que o acesso a tecnologias inovadoras é fundamental para a competitividade da indústria local de automóveis.
O pacto estabelece que o Canadá permitirá a entrada de até 49 mil veículos elétricos chineses por ano. Estes modelos passarão a ser tributados com uma alíquota de apenas 6,1%. O novo limite de importação reflete o volume registrado em 2023, antes da escalada das tensões comerciais.
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A contrapartida chinesa beneficia diretamente o agronegócio canadense, que enfrentava barreiras severas nos últimos meses. Pequim concordou em reduzir os impostos sobre a canola canadense de 84% para aproximadamente 15%. Além disso, produtos como lagostas, caranguejos e ervilhas deixam de pagar tarifas consideradas discriminatórias pelo governo de Ottawa.
Impacto no Mercado e Reações Políticas
Especialistas indicam que a entrada de modelos populares pode transformar o cenário automotivo na América do Norte. Montadoras chinesas como a BYD agora possuem um caminho aberto para oferecer veículos de baixo custo. O governo estima que a parceria destrave cerca de US$ 3 bilhões em novas ordens de exportação para empresas nacionais.
A decisão gerou reações mistas dentro do território canadense e entre aliados internacionais. O premier de Ontário, Doug Ford, criticou duramente a medida, alegando riscos para os empregos na manufatura local. No entanto, o setor agrícola celebrou a retomada do fluxo comercial com o gigante asiático, garantindo a estabilidade econômica das províncias produtoras.
Geopolítica e a Relação com os EUA
O movimento de Mark Carney sinaliza uma busca por independência diplomática em relação a Washington. Embora os Estados Unidos mantenham pressões tarifárias altas sob a gestão de Donald Trump, o Canadá optou por um realismo baseado em interesses mútuos. A expectativa é que o acordo comercial provisório seja implementado integralmente a partir de 1º de março.
O primeiro-ministro defendeu que a previsibilidade nas relações com a China traz resultados concretos para o cidadão. Ele reiterou que a cooperação em tecnologias limpas e finanças é o novo pilar da estratégia de diversificação de mercados do país. O governo planeja aumentar as exportações não-americanas em 50% até o final desta década.