O governo do Chile oficializou neste último sábado a criação de uma nova gigante mineradora para liderar a exploração de lítio no Deserto do Atacama.
A companhia denominada NovaAndino Litio SpA surge de uma parceria público privada inédita entre a estatal Codelco e a produtora privada SQM.
Esta aliança garante que o Estado chileno assuma o controle majoritário das operações na bacia salina que abriga os maiores depósitos mundiais do mineral.
Leia Também: Crise dos Chips: Demanda por IA Pode Disparar Preços de Smartphones em 2026
A estruturação da nova empresa representa o passo mais significativo da Estratégia Nacional do Lítio lançada pelo presidente Gabriel Boric para maximizar receitas.
O acordo superou obstáculos regulatórios internacionais complexos incluindo aprovações de órgãos de concorrência na China, União Europeia e também no Brasil.
A China concedeu o sinal verde final em novembro sob a condição de que o fornecimento aos clientes asiáticos permaneça justo e não discriminatório.
Os termos financeiros estabelecem que o Estado chileno receberá até 70% da margem operacional entre os anos de 2025 e 2030.
O domínio do “Ouro Branco” no Atacama
A NovaAndino Litio terá o direito exclusivo de explorar e comercializar o metal de alto valor tecnológico até o ano de 2060.
Este planejamento de longo prazo visa oferecer segurança jurídica para investidores enquanto o Chile tenta dobrar sua capacidade produtiva em uma década.
Atualmente o país é o segundo maior produtor global e busca recuperar a liderança de mercado diante do avanço de concorrentes na Austrália e Argentina.
O setor de mineração projeta que a parceria estratégica permitirá a adoção de novas tecnologias de extração direta com menor impacto ambiental.
A primeira reunião do conselho de administração ocorreu nesta segunda feira para definir a governança corporativa e os próximos investimentos em infraestrutura.
A transição operacional prevê que a SQM lidere os processos técnicos iniciais até 2030 antes que a Codelco assuma a gestão total das minas.
Consequências para o mercado global de tecnologia
A concentração da produção sob comando estatal deve influenciar diretamente os custos de fabricação de veículos elétricos e dispositivos móveis em todo o mundo.
Fabricantes de baterias na Ásia e na Europa observam com cautela o aumento do controle governamental sobre uma matéria prima tão crítica para o futuro energético.
O Brasil também acompanha os desdobramentos visto que a estratégia nacional do lítio chilena serve de modelo e ao mesmo tempo de barreira competitiva regional.
A nova gigante nasce com a meta de aumentar a extração sem ampliar o consumo de água doce no deserto mais árido do planeta.
Além disso a participação dos lucros destinada ao tesouro nacional chileno deve saltar para 85% a partir de 2031 incluindo impostos e dividendos.
Esta arrecadação recorde sustentará programas sociais e projetos de desenvolvimento industrial voltados para a agregação de valor ao lítio refinado no próprio Chile.
As autoridades chilenas acreditam que este modelo de negócio garante a soberania nacional sem afastar a experiência técnica e o capital do setor privado internacional.
O fechamento oficial do contrato marca uma era de ouro para a economia andina que aposta no lítio como o sucessor do cobre na pauta de exportações.