Chile lança gigante estatal para explorar Lítio no Atacama

A parceria entre Codelco e SQM cria a NovaAndino Litio, garantindo ao Estado chileno o controle da maior reserva de “ouro branco” do planeta até 2060.

O governo do Chile oficializou neste último sábado a criação de uma nova gigante mineradora para liderar a exploração de lítio no Deserto do Atacama.

A companhia denominada NovaAndino Litio SpA surge de uma parceria público privada inédita entre a estatal Codelco e a produtora privada SQM.

Esta aliança garante que o Estado chileno assuma o controle majoritário das operações na bacia salina que abriga os maiores depósitos mundiais do mineral.

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A estruturação da nova empresa representa o passo mais significativo da Estratégia Nacional do Lítio lançada pelo presidente Gabriel Boric para maximizar receitas.

O acordo superou obstáculos regulatórios internacionais complexos incluindo aprovações de órgãos de concorrência na China, União Europeia e também no Brasil.

A China concedeu o sinal verde final em novembro sob a condição de que o fornecimento aos clientes asiáticos permaneça justo e não discriminatório.

Os termos financeiros estabelecem que o Estado chileno receberá até 70% da margem operacional entre os anos de 2025 e 2030.

O domínio do “Ouro Branco” no Atacama

A NovaAndino Litio terá o direito exclusivo de explorar e comercializar o metal de alto valor tecnológico até o ano de 2060.

Este planejamento de longo prazo visa oferecer segurança jurídica para investidores enquanto o Chile tenta dobrar sua capacidade produtiva em uma década.

Atualmente o país é o segundo maior produtor global e busca recuperar a liderança de mercado diante do avanço de concorrentes na Austrália e Argentina.

O setor de mineração projeta que a parceria estratégica permitirá a adoção de novas tecnologias de extração direta com menor impacto ambiental.

A primeira reunião do conselho de administração ocorreu nesta segunda feira para definir a governança corporativa e os próximos investimentos em infraestrutura.

A transição operacional prevê que a SQM lidere os processos técnicos iniciais até 2030 antes que a Codelco assuma a gestão total das minas.

Consequências para o mercado global de tecnologia

A concentração da produção sob comando estatal deve influenciar diretamente os custos de fabricação de veículos elétricos e dispositivos móveis em todo o mundo.

Fabricantes de baterias na Ásia e na Europa observam com cautela o aumento do controle governamental sobre uma matéria prima tão crítica para o futuro energético.

O Brasil também acompanha os desdobramentos visto que a estratégia nacional do lítio chilena serve de modelo e ao mesmo tempo de barreira competitiva regional.

A nova gigante nasce com a meta de aumentar a extração sem ampliar o consumo de água doce no deserto mais árido do planeta.

Além disso a participação dos lucros destinada ao tesouro nacional chileno deve saltar para 85% a partir de 2031 incluindo impostos e dividendos.

Esta arrecadação recorde sustentará programas sociais e projetos de desenvolvimento industrial voltados para a agregação de valor ao lítio refinado no próprio Chile.

As autoridades chilenas acreditam que este modelo de negócio garante a soberania nacional sem afastar a experiência técnica e o capital do setor privado internacional.

O fechamento oficial do contrato marca uma era de ouro para a economia andina que aposta no lítio como o sucessor do cobre na pauta de exportações.

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