A China finalizou a construção de uma barreira vegetal gigantesca ao redor do seu maior deserto, o Taklamakan, localizado na região de Xinjiang. O projeto alcançou a marca histórica de 3.046 quilômetros de extensão, formando um anel verde que impede o avanço das dunas sobre áreas urbanas.
Essa iniciativa faz parte da estratégia nacional para combater a desertificação, um problema que afeta milhões de pessoas no país. O governo utilizou uma combinação de espécies nativas resistentes e tecnologia de ponta para garantir que a vegetação sobrevivesse ao calor extremo.
A engenharia aplicada permitiu que dunas móveis fossem estabilizadas com o uso de tapetes biológicos feitos de palha. Além disso, sistemas de irrigação por gotejamento, alimentados por energia solar, mantêm as mudas hidratadas com o mínimo de desperdício de água.
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O sucesso da operação no chamado “Mar da Morte” representa uma vitória da ciência sobre as mudanças climáticas severas. Autoridades chinesas confirmam que o índice de tempestades de areia na região caiu consideravelmente nos últimos anos, beneficiando o transporte de mercadorias.
Tecnologia e inovação no deserto
Para sustentar essa floresta artificial, a China instalou dezenas de estações de bombeamento fotovoltaicas. Esses equipamentos extraem água de lençóis freáticos profundos, garantindo a sobrevivência de mais de 200 mil árvores em locais onde a chuva é praticamente inexistente.
O modelo de gestão ambiental também foca na economia local, integrando o plantio de espécies que produzem frutos e ervas medicinais. Isso gera renda para as comunidades que antes viviam sob a ameaça constante de serem soterradas pela areia.
Especialistas em sustentabilidade global apontam que o projeto é um laboratório vivo para o resto do mundo. A técnica de “quadriculado de palha” é uma das mais elogiadas por sua simplicidade e eficácia na contenção de ventos fortes.
Desafios e segurança hídrica
Apesar dos avanços, o projeto enfrenta críticas sobre o alto consumo de água em regiões áridas. Pesquisadores monitoram se o reflorestamento em massa pode alterar o ciclo hidrológico de províncias vizinhas a longo prazo.
O governo chinês rebate as preocupações afirmando que o uso de sensores de satélite permite um ajuste fino na irrigação. O objetivo agora é garantir que a “Grande Muralha Verde” seja autossustentável até meados de 2050.
A manutenção dessa barreira é considerada uma questão de segurança nacional, visto que protege ferrovias e estradas vitais para o comércio interior. O país segue investindo bilhões em biotecnologia para desenvolver plantas ainda mais resistentes ao estresse hídrico.