O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, rejeitou oficialmente nesta quarta-feira (7) uma proposta do governo dos Estados Unidos para conceder exílio a Nicolás Maduro em solo turco. A oferta de Washington visava remover o ex-líder venezuelano da zona de influência americana após sua captura por forças especiais em 3 de janeiro. Erdogan classificou a sugestão como “imprópria” e afirmou que a Turquia não aceitará ser um depósito para conveniências políticas alheias.
A negativa turca cria um novo obstáculo para a administração de Donald Trump, que busca uma solução rápida para o destino jurídico de Maduro sem inflamar ainda mais a América Latina. O Departamento de Estado americano via na Turquia um porto seguro viável, dada a relação histórica de proximidade entre Erdogan e Maduro nos últimos anos. No entanto, Ancara sinalizou que qualquer movimentação desse porte exigiria garantias que os EUA não estão dispostos a oferecer.
Internamente, a decisão de Erdogan é vista como uma demonstração de força contra a hegemonia americana na OTAN. O presidente turco defende que o processo contra Maduro deve seguir as normas do direito internacional e não apenas a vontade de uma única potência. Enquanto o impasse persiste, Maduro continua detido em uma base militar de localização mantida sob sigilo absoluto por razões de segurança.
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Líderes europeus e o Vaticano acompanham a situação com cautela, temendo que a recusa do exílio leve Maduro a um julgamento de guerra nos EUA, o que poderia martirizá-lo perante seus seguidores. A proposta de exílio teria sido discutida em uma chamada telefônica tensa entre o secretário de Estado, Marco Rubio, e seu homólogo turco.
A crise diplomática também afeta a estabilidade na Venezuela, onde Delcy Rodríguez tenta consolidar seu governo interino sob a sombra de uma possível intervenção administrativa direta de Washington. A permanência de Maduro sob custódia americana é um trunfo político para Trump, mas a falta de um país destino torna o processo uma bomba relógio diplomática para o início de 2026.
Geopolítica do Exílio e a Rota de Ancara
A Turquia tem se posicionado como um hub de mediação global, mas o caso Maduro envolve crimes de narcoterrorismo que complicam qualquer asilo formal. Se Erdogan aceitasse o ex-líder, poderia enfrentar sanções secundárias ou críticas severas da oposição interna, que já questiona os custos da amizade com o chavismo.
O impasse revela as fissuras na coalizão internacional de apoio aos EUA. Países que antes apoiavam a saída de Maduro agora divergem sobre o método de punição ou asilo. A estratégia de Washington de “terceirizar” a custódia de prisioneiros políticos de alto escalão parece estar perdendo eficácia diante de líderes que priorizam sua própria autonomia nacional.