Caroline Ellison deixa a prisão federal após 11 meses

Justiça americana transfere Caroline Ellison para regime comunitário após 11 meses de reclusão; pivô do caso FTX deve ganhar liberdade total em fevereiro de 2026.

A ex-executiva Caroline Ellison não passará as festas de fim de ano em uma cela federal. Registros do Departamento de Prisões dos Estados Unidos confirmam que a ex-CEO da Alameda Research foi transferida da Instituição Correcional Federal de Danbury, em Connecticut, para uma unidade de gerenciamento de reentrada em Nova York. A movimentação ocorreu em 16 de outubro, mas os detalhes sobre sua nova localização foram mantidos sob sigilo por razões de segurança.

Ellison cumpriu aproximadamente 11 meses da pena de 24 meses que lhe foi imposta em setembro de 2024. Ela agora cumpre o restante da sentença em confinamento domiciliar ou em uma casa de transição (halfway house) sob rigorosa supervisão federal. A progressão de regime é uma prática comum para detentos de baixa periculosidade que demonstram bom comportamento e colaboração efetiva com as autoridades.

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O papel de Caroline foi fundamental para a condenação de seu ex-parceiro e fundador da FTX, Sam Bankman-Fried. Durante o julgamento ela forneceu detalhes minuciosos sobre como bilhões de dólares de clientes foram desviados para cobrir rombos da Alameda Research. Essa “cooperação substancial” foi o principal argumento utilizado pela defesa e aceito pelo juiz Lewis Kaplan para garantir uma sentença reduzida.

Leniência e o contraste com Bankman-Fried

A saída antecipada de Ellison da prisão federal reacende o debate sobre a responsabilidade individual em grandes fraudes financeiras. Enquanto ela se prepara para a liberdade total, Sam Bankman-Fried cumpre uma sentença de 25 anos em regime fechado. Outros executivos envolvidos no esquema, como Ryan Salame, também receberam penas significativamente mais severas, chegando a sete anos de prisão.

A defesa de Ellison sempre sustentou que ela agiu sob a influência manipuladora de Bankman-Fried. O juiz Kaplan, embora tenha reconhecido a gravidade do crime de US$ 11 bilhões, considerou que ela não representava um risco de reincidência. Conforme a declaração de promotores federais, a jovem executiva sofreu um escrutínio público que foi além de sua conduta criminal, o que também pesou na recomendação de leniência.

Futuro e liberdade total em 2026

De acordo com o rastreador oficial de detentos, a data de liberação definitiva de Caroline Ellison está agendada para 20 de fevereiro de 2026. Até lá, ela permanecerá sob monitoramento eletrônico e terá restrições severas de deslocamento e comunicação. O acordo de delação também previu que ela entregasse a totalidade de seus ativos para o pagamento de indenizações às vítimas da exchange.

A trajetória de Ellison deve voltar aos holofotes com o lançamento de séries e documentários que exploram a ascensão e queda do império cripto. Analistas acreditam que sua rápida reentrada na sociedade servirá como um estudo de caso sobre os benefícios da colaboração premiada nos EUA. Segundo dados oficiais do processo, a transferência sinaliza o encerramento gradual de sua dívida com a justiça criminal.

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