O governo dos Estados Unidos intensificou as discussões para a aquisição definitiva da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, alegando imperativos de segurança nacional. Fontes ligadas à Casa Branca afirmam que o modelo de arrendamento de bases militares não é mais suficiente para conter as ambições globais de adversários. O argumento central é que a atual estrutura de defesa da ilha é insuficiente para as ameaças modernas do século XXI.
Atualmente, a patrulha da soberania em grande parte do vasto território ártico depende da Unidade Sirius, uma força de elite dinamarquesa que utiliza métodos tradicionais de vigilância. A ironia de que a defesa da maior ilha do mundo se resume a trenós puxados por cães tornou-se o principal motor para a pressão americana. Estrategistas militares alertam que essa fragilidade torna a região um alvo fácil para incursões e investimentos estrangeiros de potências hostis.
O temor de Washington é que, sem uma intervenção direta, a Groenlândia caia sob a órbita de influência da China ou da Rússia. O governo chinês já demonstrou interesse em financiar aeroportos e mineradoras na região, buscando consolidar uma “Rota da Seda Polar”. Já a Rússia tem expandido sua frota de quebra-gelos nucleares e reativado bases militares na zona ártica, cercando o flanco norte da OTAN.
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A proposta de compra, embora inicialmente rejeitada por Copenhague em anos anteriores, volta à mesa com uma oferta financeira robusta e promessas de investimentos em infraestrutura. O governo americano sustenta que a posse do território permitiria a instalação de sistemas avançados de alerta precoce e defesa de mísseis. A Dinamarca, por sua vez, enfrenta pressão interna e externa para decidir entre a soberania simbólica e a proteção estratégica oferecida pelo aliado.
O avanço da China e Rússia no Ártico
A disputa pelo Ártico não envolve apenas território, mas também o controle de novas rotas marítimas que surgem com o degelo e o acesso a vastas reservas de minerais críticos. A China, autodenominada uma “nação próxima ao Ártico”, busca parcerias econômicas para garantir recursos energéticos de longo prazo. O cenário de uma compra da Groenlândia pelos EUA visa cortar essas linhas de suprimento antes que se tornem irreversíveis.
Moscou também vê a região como vital para sua economia, investindo pesadamente na militarização de sua costa norte. A resposta americana foca na Base Aérea de Thule, que já funciona como um ponto estratégico vital para o monitoramento de satélites e mísseis balísticos intercontinentais. Informações detalhadas sobre a estratégia militar americana no Ártico indicam que a presença permanente é a única garantia contra a hegemonia russa.
Impactos econômicos e diplomáticos
A possível transação geraria um dos maiores acordos territoriais desde a compra do Alasca em 1867. Além da segurança, a Groenlândia possui depósitos massivos de terras raras, essenciais para a indústria tecnológica e de baterias elétricas. O controle desses recursos daria aos Estados Unidos uma vantagem competitiva decisiva sobre a manufatura chinesa, que hoje domina o setor de mineração global.
O impasse diplomático com a Dinamarca continua sendo o maior obstáculo, com setores da população groenlandesa exigindo autodeterminação. No entanto, o argumento de Washington é que o custo da defesa moderna é proibitivo para o pequeno orçamento local. O desfecho desta negociação definirá quem controlará o “teto do mundo” nas próximas décadas, em um tabuleiro onde o tempo é o maior inimigo da diplomacia tradicional.