Agricultores e pecuaristas franceses explodiram em revolta após o governo determinar o sacrifício de um rebanho bovino de 207 animais no sul do país, gerando confrontos com as forças de ordem e bloqueios de estradas. A crise atinge a França em cheio, com a decisão ocorrendo após a detecção de um caso positivo de dermatose nodular contagiosa (DNC) que ameaça a economia local e global. A doença, embora inofensiva para humanos, provoca restrições comerciais e perdas econômicas gigantescas no setor de lácteos e carne.
O epicentro desta nova onda de protestos é a região de Les Bordes-Sur-Arize, onde o rebanho foi afetado. O sacrifício em massa visa conter a propagação do vírus, mas a medida é vista pelos agricultores como uma sentença de morte para seus negócios e patrimônio. A cena de vacas sendo removidas das fazendas gerou comoção e acendeu o pavio da indignação popular.
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Os produtores rurais alegam que a compensação financeira oferecida pelo governo não cobre o prejuízo total. Eles perderam anos de investimento genético e de trabalho duro na criação dos animais afetados, o que é insubstituível.
Os confrontos físicos entre manifestantes e a polícia escalaram rapidamente. Rodovias cruciais foram bloqueadas com tratores e pilhas de feno. O objetivo é paralisar o escoamento da produção e forçar o governo a rever a política de abate obrigatório em casos de DNC.
Dermatose Nodular: O Que Está Ameaçando o Gado Francês?
A Doença da Pele Nodular (DNC) é uma infecção viral altamente contagiosa que afeta bovinos. O vírus provoca febre, lesões na pele (nódulos) e uma queda drástica na produção de leite.
Apesar de a doença não oferecer riscos diretos para o ser humano, o impacto econômico é devastador. Os países que registram a doença sofrem restrições imediatas na exportação de carne e produtos lácteos, afetando a balança comercial. A França, potência agrícola da União Europeia, vê agora suas exportações sob risco.
O vírus tem se espalhado pela Europa, atingindo pela primeira vez a Europa Ocidental, e a França está na linha de frente do combate. O aumento dos surtos forçou a França a proibir temporariamente as exportações de gado, elevando a tensão no mercado internacional.
O receio dos agricultores é que o abate se torne a regra, em vez da vacinação em massa. Embora campanhas de vacinação tenham sido realizadas, os casos voltaram a aumentar, especialmente perto das fronteiras com a Espanha.
A ministra da Agricultura francesa já havia alertado para a gravidade da situação. “Estamos em um momento crítico. É essencial mantermos nossos esforços para proteger o rebanho bovino francês,” disse a ministra em declaração anterior. A pecuária do país está realmente em jogo.
A Cronologia da Revolta: De Onde Veio Essa Fúria?
A insatisfação dos agricultores franceses não é recente. O setor agrícola já havia paralisado rodovias em protestos maciços no ano anterior devido a uma série de questões, incluindo baixos preços e burocracia excessiva.
Os problemas se agravaram com as chuvas que prejudicaram as colheitas e os surtos de doenças nos rebanhos. Os produtores rurais sentem que estão sendo abandonados e penalizados por crises que estão fora de seu controle.
A detecção dos novos casos de DNC no sudoeste do país reacendeu a chama da revolta que estava adormecida. A ordem de abate obrigatório foi a gota d’água que transformou o descontentamento em confrontos públicos e bloqueios de estradas.
O caso do sacrifício do rebanho de 207 cabeças no sul, na última semana, foi o estopim. Os agricultores passaram a agir rapidamente, mobilizando tratores e apoiadores em solidariedade aos pecuaristas afetados.
A ação do governo francês ocorre em meio a negociações finais do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, outro ponto de crítica intensa do setor agrícola francês. Eles temem que o acordo aumente a concorrência desleal com importações que não seguem os mesmos padrões sanitários e ambientais.
O Risco Imediato para o Brasil e o Mundo
Embora a doença esteja na França, o mercado global é interligado. A crise na França, um dos maiores produtores de lácteos e carne da Europa, pode desestabilizar o preço destes produtos no mundo.
Para o Brasil, a situação é dupla: por um lado, abre-se uma oportunidade de aumentar as exportações brasileiras para países europeus que dependiam da França. Por outro lado, o Brasil também precisa reforçar suas barreiras sanitárias para evitar a entrada da DNC em seu território.
A crise na França serve de Alerta Máximo para o setor agropecuário brasileiro sobre a importância da vigilância sanitária. A doença não afeta apenas a França, mas sim a confiança do consumidor global na segurança dos alimentos.
A União Europeia, pressionada, precisará agir rapidamente para acalmar a situação. Os líderes europeus sabem que a revolta dos agricultores tem potencial para se espalhar por todo o bloco econômico. A imagem de pecuaristas desesperados perdendo seus rebanhos é poderosa e mobilizadora.
As perdas para a economia francesa são estimadas em milhões de euros, e o custo de um surto descontrolado seria incomensurável. A prioridade do governo é evitar que a doença se alastre para as principais regiões de criação de gado, o que seria uma catástrofe.
A comunidade internacional observa com preocupação. A crise na França demonstra a fragilidade da cadeia de suprimentos de alimentos diante de surtos virais, mesmo em países desenvolvidos.
A pressão continuará nas próximas semanas, e o governo francês terá que encontrar um equilíbrio. A saúde pública e a proteção do rebanho nacional devem ser prioridades, mas a preservação da atividade econômica e do sustento dos agricultores é igualmente crucial. A batalha na França está apenas começando.