A Volkswagen encerra nesta terça-feira dezesseis de dezembro a produção na fábrica de Dresden. Pela primeira vez em oitenta e oito anos de história montadora alemã fecha unidade fabril. Decisão marca fim de era industrial na Alemanha segundo Financial Times. Fábrica Transparente produziu duzentos mil veículos desde dois mil e dois quando foi inaugurada.
O fechamento ocorre em momento de intensa pressão financeira sobre o grupo automotivo alemão. Volkswagen enfrenta desafios globais incluindo queda acentuada nas vendas na China. Baixa demanda por veículos na Europa também pressiona resultados financeiros da montadora. Incertezas regulatórias e tarifas nos Estados Unidos agravam situação econômica do grupo.
Leia Também: Novo Volkswagen Jetta mostra nova geração internacional
CEO da marca Thomas Schäfer afirmou que decisão não foi tomada levianamente. Do ponto de vista econômico era essencial encerrar a produção confirmou executivo. Dresden produziu menos da metade da produção anual da fábrica central em Wolfsburg. Baixa produtividade tornou manutenção da unidade economicamente insustentável segundo análise da empresa.
A última unidade ID.3 saiu da linha de montagem encerrando produção de veículos elétricos. Trabalhadores e sindicatos protestaram no início do mês contra o encerramento da instalação. Manifestações destacaram impacto simbólico do fechamento da primeira fábrica alemã da Volkswagen. Aproximadamente duzentos e cinquenta postos de trabalho estão em jogo com a decisão.
Fábrica Transparente era vitrine tecnológica da montadora
Instalação foi inaugurada em dois mil e dois como vitrine da excelência em engenharia. Edifício de vidro permitia que público observasse processo de montagem dos veículos. Arquitetura transparente simbolizava inovação e abertura tecnológica da marca alemã. Local tornou-se atração turística combinando fábrica e espaço de exposição de modelos.
Primeira função da unidade era montagem do sofisticado sedã de luxo Phaeton. Modelo topo de gama representava ambição da Volkswagen no segmento premium. Entre dois mil e um e dois mil e dezesseis fábrica concentrou produção deste veículo. Após descontinuação do Phaeton em dois mil e dezesseis local foi adaptado.
Dresden centralizou esforços de eletrificação da Volkswagen tornando-se símbolo da transição energética. Entre dois mil e dezessete e dois mil e vinte produziu o e-Golf. Em dois mil e vinte e um assumiu montagem do ID.3 veículo totalmente elétrico. Unidade ficou conhecida como Home of ID representando futuro sustentável da marca.
Fábrica não possuía áreas de estampagem pintura ou montagem de motores. Funcionava essencialmente como montra de engenharia e local de montagem final. Estrutura tornava-se ineficiente em larga escala comparada a outras instalações do grupo. Custos elevados de produção levaram a reavaliação da viabilidade econômica da operação.
Reestruturação prevê corte de 35 mil empregos
Fechamento integra acordo mais amplo firmado com sindicatos no ano passado. Volkswagen planeja cortar trinta e cinco mil postos de trabalho na Alemanha. Redução corresponde a aproximadamente trinta por cento dos cento e vinte mil funcionários alemães. Meta é economizar cerca de quinze bilhões de euros até dois mil e trinta.
Acordo saudado como milagre de Natal foi alcançado em dezembro após negociações tensas. Sindicatos aceitaram cortes em troca de garantias e aumento salarial de cinco por cento. Aumento foi depositado em fundo da empresa para ser usado na redução de despesas. Trabalhadores concordaram com sacrifícios visando sustentabilidade de longo prazo da companhia.
Capacidade total de produção será reduzida em setecentos e trinta e quatro mil veículos. Produção do Golf será transferida de Wolfsburg para o México em dois mil e vinte e sete. Movimento indica pressão crescente para deslocalizar fabricação para locais com custos mais baixos. Estratégia visa recuperar competitividade frente a concorrentes globais principalmente chineses.
Outras fábricas da Volkswagen na Alemanha têm trabalhadores em layoff por falta de encomendas. Pelo menos três das dez unidades alemãs estão em vias de encerramento. Administração propôs corte salarial uniforme de dez por cento para todos funcionários. Medidas drásticas refletem gravidade da situação financeira do grupo automotivo.
Local será transformado em hub de inovação
Acordo alcançado com estado da Saxónia e Universidade Técnica de Dresden salvou instalações. Espaço será convertido em campus de inovação tecnológica com investimento de cinquenta milhões. Volkswagen e universidade dividirão investimento ao longo dos próximos sete anos. Objetivo é criar centro de pesquisa de ponta em inteligência artificial e robótica.
Universidade Técnica ocupará quase metade das instalações com projetos conjuntos arrancando em dois mil e vinte e seis. Prioridade passa por criar condições para investigação aplicada em tecnologias críticas. Desenvolvimento de competências estratégicas para mobilidade do futuro será foco principal. Proximidade deste cluster pode acelerar inovação segundo análise da Volkswagen.
Presidente da Volkswagen Saxony Thomas Edig está convencido do potencial do projeto. Executivo afirma que Dresden pode se tornar Stanford do leste da Alemanha. Comparação com universidade americana que produziu noventa e quatro bilionários reflete ambição da iniciativa. Atração de talento internacional é meta fundamental para sucesso do empreendimento.
Campus focará pesquisa em microprocessadores semicondutores e transferência de tecnologia. Áreas consideradas estratégicas para competitividade futura da indústria automotiva alemã. Volkswagen anunciou investimento adicional de mil milhões de euros em inteligência artificial. Meta é poupar quatro mil milhões de euros até dois mil e trinta e cinco.
Crise energética e mercado agravam desafios
Alemanha perdeu acesso a gás russo barato após imposição de sanções à Rússia. Crise energética elevou drasticamente custos de produção industrial no país. Empresas que pagavam mil euros de eletricidade agora pagam cinco mil pela mesma quantidade. Situação insustentável força fechamento de fábricas e relocação de produção segundo analistas.
BASF maior empresa de produtos químicos do mundo abre fábrica gigante na China. Porsche também desloca parte da produção para mercados com custos mais competitivos. Todas grandes empresas alemãs estão reduzindo produção local e transferindo para EUA ou Ásia. Movimento representa desindustrialização acelerada da economia alemã segundo especialistas.
Concorrência chinesa no mercado de veículos elétricos pressiona montadoras europeias significativamente. Fabricantes asiáticos oferecem produtos competitivos a preços mais baixos que europeus. Volkswagen iniciou tarde demais transição dos carros movidos a combustíveis fósseis. Atraso tecnológico e de mercado compromete posição competitiva global da marca.
Vendas de carros novos na União Europeia caíram dezoito vírgula três por cento em agosto. Queda atingiu nível mais baixo em três anos com perdas nos principais mercados. Alemanha França e Itália registraram reduções de dois dígitos nas vendas mensais. Houve recuperação em setembro outubro e novembro sustentada por veículos híbridos.
Em dois mil e vinte e cinco pela primeira vez venda de híbridos superou carros a gasolina. Híbridos representam trinta e quatro vírgula oito por cento contra vinte e sete vírgula dois da gasolina. Veículos totalmente elétricos representam apenas dezesseis por cento do mercado europeu. Dados mostram que transição energética está atrás do cronograma esperado pelas montadoras.
Híbridos atuam como estabilizador de mercado suavizando transição entre motores convencionais e elétricos. Solução intermediária ganha preferência em regiões onde poder de compra limita eletrificação total. Infraestrutura de recarga insuficiente também freia adoção massiva de veículos puramente elétricos. União Europeia discute flexibilização das metas de banimento dos motores a combustão.
Volkswagen enfrenta dificuldades para alocar orçamento de cento e sessenta bilhões de euros. Valor destinado aos próximos cinco anos representa redução significativa comparado a períodos anteriores. Para período dois mil e vinte e três a dois mil e vinte e sete orçamento era cento e oitenta bilhões. Corte de vinte bilhões de euros reflete pressão financeira sobre o grupo.
CFO Arno Antlitz sinalizou otimismo cauteloso sobre caixa líquido para dois mil e vinte e cinco. Executivo prevê leve resultado positivo fugindo de previsão anterior de quase zero. Grupo Volkswagen está sob enorme pressão para reduzir custos em toda estrutura corporativa. Geração de cashflow tornou-se prioridade absoluta para sustentabilidade da empresa.
Decisão marca fim de era industrial na economia alemã historicamente poderosa. Orgulho industrial de nação vê símbolos de poder de outrora eclipsarem-se. Novos concorrentes modelos de negócio e tecnologias desafiam supremacia germânica tradicional. Dresden representa apenas primeiro capítulo de transformação profunda em curso.
Entre cinquenta e sessenta dos duzentos e vinte e cinco trabalhadores de Dresden serão realocados. Funcionários serão convidados a integrar outros projetos do grupo ou programas de reforma antecipada. Local continuará sendo utilizado para entrega de veículos e como atração turística. Transformação em centro de pesquisa oferece segunda vida à instalação histórica da montadora.