Extremistas hindus vandalizam decorações de Natal na Índia e geram prisões

Grupos como Bajrang Dal e VHP destroem símbolos cristãos em estados como Chhattisgarh e Assam; atos ocorrem em meio a tensões religiosas globais e prisões na Cisjordânia.

A celebração do Natal na Índia em 2025 foi marcada por uma escalada de violência e atos de intolerância perpetrados por grupos nacionalistas hindus. Em diversos estados, incluindo Chhattisgarh e Assam, extremistas ligados a organizações como Bajrang Dal e Vishwa Hindu Parishad (VHP) invadiram locais públicos e privados para destruir decorações natalinas, alegando que as festividades ameaçam a “pureza cultural” do país.

Na capital de Chhattisgarh, Raipur, uma multidão de cerca de 90 ativistas de direita invadiu o Magneto Mall no dia 24 de dezembro para vandalizar exibições natalinas. O ataque gerou pânico entre os frequentadores e motivou uma investigação policial imediata para identificar os líderes do movimento. Simultaneamente, no estado de Assam, ativistas do Bajrang Dal atacaram a escola St. Mary’s English School, destruindo presépios e queimando banners sob gritos de slogans nacionalistas.

As autoridades indianas responderam com a prisão de pelo menos quatro ativistas seniores vinculados ao VHP e ao Bajrang Dal em Nalbari, Assam. Líderes religiosos cristãos expressaram profunda preocupação com o “clima de medo” que impede fiéis de celebrarem abertamente, ressaltando que tais atos são antitéticos ao caráter secular da Índia.

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A pauta de destruição de símbolos natalinos por hindus ecoa incidentes similares ocorridos em outras partes do mundo, sugerindo um fenômeno de “mimetismo de táticas” entre radicais de diferentes crenças. Na Cisjordânia, por exemplo, as autoridades prenderam três suspeitos de incendiar uma árvore de Natal na Igreja do Santo Redentor, em Jenin, entre os dias 22 e 25 de dezembro. Esse paralelismo reforça a percepção de que a intolerância religiosa está se tornando uma ferramenta política global para polarizar populações.

Bloqueios e Intimidação em Escolas e Comércio

Além da destruição física, grupos extremistas emitiram avisos formais a escolas e instituições para que não realizassem eventos natalinos, classificando o festival como uma forma de “conversão forçada”. Segundo dados oficiais sobre o setor, vendedores ambulantes em cidades como Deli foram assediados por comercializarem itens como gorros de Papai Noel e máscaras festivas. Em Kerala, o ministro-chefe Pinarayi Vijayan condenou publicamente a pressão de grupos vinculados à RSS para cancelar eventos escolares.

Ademais, a vigilância constante de grupos nacionalistas nas ruas tem gerado um impacto econômico negativo para pequenos comerciantes locais que dependem da temporada festiva. Além disso, a disseminação de desinformação através de redes sociais tem servido como combustível para os ataques coordenados em locais de culto.

Resposta Internacional e Desafios para a Democracia

A repercussão internacional dos ataques tem colocado o governo indiano sob escrutínio de organizações de direitos humanos. Conforme a declaração de lideranças, como a Conferência dos Bispos Católicos da Índia (CBCI), a inação inicial das forças policiais em alguns estados encoraja a impunidade dos agressores. Atualmente, a segurança em áreas com densa população cristã foi reforçada, mas o trauma psicológico, especialmente entre crianças em idade escolar, permanece uma questão crítica para a convivência social em 2026.

Portanto, o cenário de intolerância registrado neste Natal de 2025 reflete um desafio contínuo para as instituições indianas em preservar o pluralismo religioso constitucional. O portal seguirá acompanhando os desdobramentos das investigações e as medidas de segurança adotadas para as celebrações de Ano Novo.

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