A capital da Venezuela viveu uma madrugada de terror nesta terça-feira, 6 de janeiro, com relatos intensos de tiros e sobrevoo de drones em diversos bairros. O pânico se espalhou rapidamente pelas redes sociais, com moradores registrando clarões e barulho de artilharia leve em zonas estratégicas. Entretanto, o Ministério da Defesa classificou o episódio como um trágico mal-entendido operacional entre unidades aliadas.
De acordo com o comunicado oficial, houve uma falha de comunicação entre pelotões do exército e patrulhas da inteligência policial. Consequentemente, as forças iniciaram um confronto entre si ao acreditarem que estavam diante de uma nova incursão de tropas especiais estrangeiras. O clima de paranoia cresceu exponencialmente desde a captura de Nicolás Maduro no último final de semana.
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Drones de vigilância foram vistos cruzando o céu de Caracas durante todo o confronto, o que alimentou boatos de um novo ataque dos Estados Unidos. Além disso, o som de explosões em pontos isolados levou a população a buscar abrigo em porões e áreas protegidas. O governo interino de Delcy Rodríguez agiu rápido para desmentir uma nova invasão e ordenar o cessar-fogo imediato entre as tropas.
Instabilidade nas forças de segurança
A falha de coordenação revela um racha ou, no mínimo, uma desorientação profunda dentro da cadeia de comando venezuelana. A ausência de uma liderança centralizada e clara tem gerado incidentes de indisciplina e reações exageradas diante de qualquer movimentação suspeita. Especialistas militares afirmam que o “fogo amigo” é um sintoma do colapso nervoso das instituições de defesa após a queda da cúpula chavista.
O balanço de feridos ou possíveis baixas entre os militares ainda não foi divulgado de forma transparente pelas autoridades. Segundo dados oficiais, as patrulhas foram reforçadas para evitar que o caos urbano seja aproveitado por grupos opositores. A ordem atual é de recolhimento total de tropas não autorizadas para circulação noturna.
Reação da população e cenário internacional
Moradores de Caracas relatam que o clima permanece de “calmaria tensa” após o incidente. Muitas empresas e escolas optaram por não abrir nesta terça-feira devido à incerteza sobre a segurança nas ruas. Conforme a declaração, a comunidade internacional observa o evento como um sinal de que o controle territorial da Venezuela está altamente fragmentado.
O governo dos Estados Unidos negou qualquer envolvimento nas atividades militares desta madrugada, reforçando que a operação de captura de Maduro já foi concluída. Consequentemente, a narrativa de “fogo amigo” ganha força como a explicação mais provável para o descontrole armado na capital. O Ministério Público iniciou uma investigação interna para punir os comandantes responsáveis pelo erro de comunicação.
