O presidente Bernardo Arévalo anunciou a decretação de estado de sítio por 30 dias em toda a Guatemala. A decisão ocorreu após um fim de semana marcado por ataques coordenados contra forças de segurança. Criminosos mataram pelo menos sete policiais e feriram outros agentes em diversas regiões da capital.
O governo mobilizou o Exército e a Polícia Nacional Civil para conter o avanço das facções criminosas. Segundo o presidente, as gangues realizaram rebeliões em três presídios do centro e sul do país simultaneamente. Os detentos fizeram 46 guardas prisionais de reféns para exigir a transferência de líderes para unidades com menos restrições.
As autoridades confirmaram que as tropas de choque já retomaram o controle das instalações carcerárias e libertaram os reféns. Arévalo afirmou em cadeia nacional que o Estado não negociará com criminosos e que a lei será aplicada com rigor máximo. O Ministério da Educação suspendeu as aulas em todo o país para garantir a proteção de estudantes.
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A medida suspende temporariamente o direito de reunião e manifestação, além de facilitar prisões e interrogatórios sem mandado judicial prévio. O presidente sublinhou, no entanto, que o estado de sítio não deve alterar a vida cotidiana ou a mobilidade da população civil. O objetivo central é desmantelar a logística das gangues e impedir novos atentados terroristas contra instituições públicas.
Analistas políticos indicam que a violência possui matizes desestabilizadores, ocorrendo em um momento de renovação de cargos no Judiciário e no Ministério Público. O governo Arévalo enfrenta forte resistência de estruturas ligadas à corrupção e ao crime que ainda exercem influência no Estado guatemalteco.
O decreto agora segue para ratificação pelo Congresso Nacional, onde a oposição detém a maioria das cadeiras. A comunidade internacional acompanha com atenção a crise, temendo que o conflito se espalhe por outros países da América Central. Bernardo Arévalo decretou também três dias de luto nacional em honra aos policiais mortos nos confrontos.
A tensão no sistema carcerário guatemalteco não é nova. Em 2025, o governo já havia aprovado uma lei “anti-gangues” que elevou penas para extorsão e declarou essas organizações como terroristas. Os motins recentes, onde detentos fizeram 46 reféns em três presídios, foram uma reação direta à perda de privilégios e às transferências de lideranças criminosas para unidades de segurança máxima.