O governo do Iêmen, apoiado pela Arábia Saudita, lançou nesta sexta-feira uma operação militar para retomar bases ocupadas por separatistas na província de Hadramout.
A movimentação ocorre após semanas de tensões crescentes entre as forças governamentais e o Conselho de Transição do Sul, que possui apoio direto dos Emirados.
Embora o governador local tenha classificado a ação como pacífica, líderes separatistas denunciaram a ocorrência de bombardeios aéreos em diversos acampamentos militares do grupo.
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O avanço das tropas governamentais marca o colapso de acordos de cooperação anteriores que visavam unificar as frentes contra os rebeldes houthi no norte.
A escalada militar ocorre em uma região rica em petróleo e de extrema importância para a logística de exportação de recursos naturais do país.
Moradores de cidades próximas aos campos de batalha relataram o movimento intenso de veículos blindados e aeronaves de combate desde as primeiras horas de hoje.
O conselho presidencial do Iêmen justificou a medida como uma necessidade urgente para restaurar a soberania estatal e evitar o caos administrativo no sul.
Racha entre Aliados Regionais
A operação expõe uma fragilidade perigosa na coalizão liderada pela Arábia Saudita, evidenciando as divergências estratégicas entre Riade e Abu Dhabi sobre o território.
Enquanto os sauditas buscam preservar a integridade territorial do Iêmen, os separatistas do sul almejam restabelecer um Estado independente na região ocupada.
A disputa pelo controle de portos estratégicos, como o de Mukalla, tornou-se o epicentro de confrontos que deixaram mortos e feridos nas últimas horas.
Fontes militares indicam que pelo menos sete ataques aéreos atingiram posições do Conselho de Transição do Sul, resultando em perdas humanas e materiais significativas.
O uso de poderio militar pesado em áreas anteriormente consideradas seguras elevou o alerta de organizações humanitárias que operam na região da Península Arábica.
Especialistas alertam que o conflito interno pode fortalecer os rebeldes houthi, que mantêm o controle da capital Sanaa e de grande parte do norte.
A comunidade internacional acompanha com preocupação o desenrolar dos combates, temendo que a violência se espalhe para as províncias vizinhas de Mahra e Abyan.
Consequências para a Segurança Global
O governo iemenita nomeou o governador Salem al-Khanbashi para comandar as forças na província, concedendo-lhe autoridade total sobre as operações de segurança e administração.
A estratégia visa desarmar milícias locais e centralizar o comando das forças armadas sob a égide do governo reconhecido internacionalmente pela Organização das Nações Unidas.
Contudo, a resistência dos separatistas sugere que a retomada de território não será concluída sem resistência armada prolongada em centros urbanos e bases remotas.
A instabilidade em Hadramout afeta diretamente a segurança das rotas comerciais no Oceano Índico, por onde transitam milhões de barris de petróleo diariamente.
Nesse contexto, os Estados Unidos e a União Europeia pediram moderação imediata às partes envolvidas para evitar um desastre humanitário ainda maior na região.
A eficácia da operação pacífica anunciada pelo governo permanece incerta diante da realidade dos confrontos terrestres e dos ataques aéreos segundo dados oficiais registrados nesta tarde.
O futuro político do Iêmen depende agora da capacidade de negociação entre os padrinhos regionais da coalizão para conter a escalada de violência conforme a declaração de diplomatas em Riade.