O governo do Iêmen declarou estado de emergência em todo o território nacional nesta terça-feira para conter o avanço de grupos separatistas no sul.
O chefe do Conselho Presidencial Rashad al-Alimi anunciou um bloqueio imediato de 72 horas atingindo todos os portos e aeroportos do país.
A medida extrema responde à tomada de territórios estratégicos por forças do Conselho de Transição do Sul (SCT) apoiadas pelos Emirados Árabes Unidos.
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Rashad al-Alimi também oficializou o cancelamento do pacto de segurança com os Emirados após os ataques aéreos da Arábia Saudita contra separatistas.
A Arábia Saudita bombardeou o porto de Mukalla alegando que o local servia para o desembarque de armamentos pesados destinados à rebelião sulista.
Os caças sauditas destruíram veículos blindados e carregamentos de armas em uma operação limitada para garantir a segurança nacional da região.
Ruptura entre Arábia Saudita e Emirados Árabes
A crise expõe uma divisão perigosa entre os dois principais produtores de petróleo que antes eram aliados na guerra contra os rebeldes houthis.
O governo saudita emitiu um alerta de segurança nacional classificando o avanço separatista como uma ameaça direta à sua soberania e estabilidade regional.
Em resposta os Emirados Árabes anunciaram a retirada voluntária de suas forças militares remanescentes em solo iemenita após o ultimato de Riade.
A tensão diplomática atingiu o ápice com a exigência saudita de que todos os grupos financiados por Abu Dhabi abandonem as áreas conquistadas.
Especialistas alertam que o conflito regional pode desestabilizar os mercados globais de energia em um momento de alta demanda internacional.
As bolsas de valores na região do Golfo registraram quedas acentuadas refletindo o temor de investidores com a escalada bélica entre os vizinhos.
Impactos humanitários e geopolíticos no Iêmen
O Conselho de Segurança da ONU monitora a situação enquanto milhares de civis fogem das áreas de combate nas províncias de Hadramawt e Mahra.
Moradores de edifícios próximos ao porto de Mukalla relataram pânico durante os bombardeios noturnos que destruíram vidraças e estruturas residenciais importantes.
A declaração de emergência por 90 dias suspende garantias constitucionais e dá poder total às forças militares para retomar o controle das cidades ocupadas.
A comunidade internacional teme que a disputa interna enfraqueça as frentes de combate contra os houthis paralisando os esforços de paz negociados recentemente.
As autoridades de saúde alertam que o bloqueio total pode agravar a crise de abastecimento de alimentos e remédios para a população mais vulnerável.
O governo brasileiro através do Itamaraty ainda não emitiu uma nota oficial sobre a segurança de eventuais cidadãos nacionais residentes na Península Arábica.
O monitoramento segue constante pois o fim do prazo de 24 horas para a retirada total das milícias marca o próximo ponto crítico do conflito.
A estabilidade do Iêmen permanece como o fiel da balança para evitar uma guerra direta entre as potências do Golfo nos próximos dias.