O governo de Israel confirmou nesta quarta-feira (31) a revogação imediata das licenças de funcionamento de 37 organizações não governamentais (ONGs) em Gaza. A medida atinge diretamente a Médicos Sem Fronteiras (MSF) e outros grupos humanitários vitais para a região. As autoridades alegam que os funcionários dessas entidades possuem vínculos comprovados com atividades terroristas locais.
As novas regras de registro exigiam o envio de listas completas com dados de todos os funcionários palestinos e fontes de financiamento. O governo afirma que o Hamas utiliza essas estruturas civis para desviar recursos e coordenar ataques militares no território. Consequentemente o Ministério da Diáspora decidiu invalidar as permissões de quem não cumpriu as exigências de transparência.
A decisão entra em vigor em 1º de janeiro de 2026, forçando o encerramento total das atividades até o mês de março. Diversos países e blocos econômicos criticaram duramente a postura de Israel, alertando para o agravamento da fome e das doenças. Todavia a administração de Benjamin Netanyahu mantém a posição de priorizar a segurança nacional sobre a ajuda externa.
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A organização Médicos Sem Fronteiras repudiou veementemente as acusações e declarou que opera com neutralidade absoluta em todos os seus hospitais. A entidade ressaltou que nunca contrataria conscientemente pessoas envolvidas em grupos armados ou operações militares na Faixa de Gaza. Além disso a MSF alertou que a interrupção dos tratamentos médicos causará milhares de mortes evitáveis.
Novas exigências e a acusação de terrorismo
O endurecimento das normas administrativas ocorreu após meses de investigações realizadas pelos serviços de segurança de Israel. O Ministério da Diáspora identificou pelo menos dois funcionários da MSF que supostamente pertencem ao Hamas e à Jihad Islâmica. As organizações afetadas afirmam que as regras de registro são arbitrárias e servem apenas para restringir a entrada de suprimentos básicos.
Os critérios para desqualificação incluem o apoio a boicotes contra o Estado de Israel ou a negação dos ataques de 7 de outubro. Qualquer entidade que apoie processos internacionais contra líderes ou soldados israelenses também perde automaticamente o direito de atuar na região. Essa estrutura legal força as ONGs a escolherem entre o silêncio político ou o fim do atendimento humanitário.
Representantes da União Europeia e das Nações Unidas pediram a revisão imediata do decreto para evitar uma catástrofe humanitária sem precedentes. Conforme a declaração de diplomatas a medida fere o direito internacional humanitário e compromete a previsibilidade da assistência básica aos civis. O cenário de instabilidade deve afetar cerca de 15% de toda a ajuda enviada atualmente para os territórios ocupados.
Reação internacional e o risco de colapso
O bloqueio administrativo atinge grupos como Oxfam, Caritas e o Conselho Norueguês para Refugiados, que administram abrigo e alimentação para deslocados. Analistas políticos apontam que a saída dessas organizações consolida o controle militar total de Israel sobre a logística civil em Gaza. Segundo dados oficiais o governo pretende implementar um novo mecanismo de distribuição de auxílio para evitar a influência de milícias locais.
As pressões externas sobre o gabinete israelense aumentam à medida que o prazo de encerramento das atividades se aproxima. Dez nações emitiram um alerta conjunto classificando a situação como catastrófica e pedindo a suspensão das restrições consideradas irracionais. Muitos temem que a ausência de testemunhas internacionais e equipes médicas independentes piore as condições de vida dos palestinos nos próximos meses de conflito.
O encerramento do calendário de 2025 marca assim um novo estágio de isolamento para a Faixa de Gaza e a Cisjordânia. O mundo observa atentamente se as novas regras serão flexibilizadas ou se o colapso humanitário será inevitável em 2026. A segurança dos pacientes e das equipes remanescentes nas zonas de guerra permanece como o maior desafio logístico global da atualidade.