O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, confirmou nesta segunda-feira (12) que é alvo de uma investigação criminal conduzida por procuradores federais em Washington. O Departamento de Justiça emitiu intimações relacionadas ao depoimento de Powell sobre as obras de reforma da sede da instituição. A ação marca um agravamento histórico na crise entre o banco central e a Casa Branca.
Em um vídeo oficial, Powell classificou a medida como uma tentativa de intimidação política sem precedentes na democracia americana. Ele afirmou que a ameaça de indiciamento criminal surge após sua recusa em ceder às pressões do governo para reduzir as taxas de juros de forma agressiva. Segundo o chefe do Fed, a independência da autoridade monetária está sob ataque direto do governo federal.
O inquérito foca nos custos da reforma dos edifícios históricos do Fed, que saltaram de US$ 1,9 bilhão para US$ 2,5 bilhões recentemente. Procuradores investigam se Powell forneceu informações enganosas ao Congresso sobre o escopo do projeto, incluindo gastos com acabamentos de mármore e elevadores privativos. O presidente do banco central nega qualquer irregularidade e sustenta que o Congresso foi devidamente informado sobre os reajustes orçamentários.
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A investigação é supervisionada pela procuradora Jeanine Pirro, aliada próxima do presidente Donald Trump e nomeada para o Distrito de Colúmbia. Trump, que já chamou Powell de incompetente em diversas ocasiões, negou ter conhecimento prévio sobre a abertura do processo criminal. Entretanto, analistas apontam que o uso do aparato judicial contra o chefe do BC americano sinaliza uma ruptura institucional profunda.
Consequências para o mercado financeiro
Especialistas alertam que a abertura deste inquérito pode gerar volatilidade extrema nos mercados globais devido ao risco de vacância ou interferência no Fed. A autoridade monetária defende que o aumento dos custos da obra ocorreu por problemas estruturais, como a remoção de amianto e solo contaminado. A disputa jurídica deve chegar ao Supremo Tribunal, enquanto o mandato de Powell como presidente expira oficialmente em maio de 2026.
A defesa de Powell reitera que o projeto de modernização é necessário para garantir a segurança e a acessibilidade dos prédios construídos na década de 1930. O Departamento de Justiça ainda não emitiu uma declaração oficial detalhando as acusações específicas contra o economista. No entanto, o cenário atual de investigação criminal nos EUA coloca em xeque a autonomia de uma das instituições mais poderosas do planeta.
Reação de Jerome Powell e próximos passos
Mesmo sob pressão judicial, Jerome Powell declarou que pretende cumprir seu compromisso de servir ao povo americano com integridade técnica. Ele destacou que a política monetária deve ser baseada em evidências econômicas, e não em preferências políticas momentâneas. O embate direto com a procuradoria e o Poder Executivo deve dominar o debate legislativo nas próximas semanas, conforme revelam os detalhes da ofensiva judicial contra o Fed.
A comunidade internacional observa com cautela os desdobramentos desta crise, temendo que a politização do Federal Reserve prejudique o combate à inflação global. O desfecho desta investigação definirá se os futuros presidentes do banco central estarão protegidos contra retaliações por suas decisões técnicas. Até o momento, Powell mantém sua rotina de trabalho, apesar das graves acusações que agora pesam sobre sua gestão.