Arqueólogos encontraram rara imagem de Jesus Cristo na cidade de Iznik, na Turquia. A pintura mostra Jesus como o Bom Pastor com aparência diferente da iconografia tradicional. O afresco exibe Jesus jovem, de cabelo curto, sem barba, carregando ovelha nas costas. A descoberta foi feita em tumba datada do início da era cristã na Ásia Menor.
O estilo artístico é claramente romano seguindo padrões da época. A representação é provavelmente do começo do cristianismo na região. Coberta de flores e animais, o afresco é primeiro achado do tipo fora da Itália. A cruz ainda não havia se tornado símbolo central do cristianismo naquele período.
O presidente da Turquia presenteou o Papa Leão XIV com azulejo replicando o mural. Autoridades do Vaticano ficaram impressionadas com a descoberta segundo Middle East Eye. A pintura representa aspecto menos conhecido da figura de Jesus. O achado abre janela importante para iconografia cristã na Antiguidade.
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No lado oeste da tumba, profissionais encontraram imagens de casal. Pesquisadores acreditam que sejam os ocupantes do túmulo descoberto. Ao todo foram achados cinco esqueletos no local. Dois ainda estão em caráter indefinido segundo análises preliminares. Os outros três são de dois jovens adultos e bebê de seis meses.
Descobertas na Espanha revelam padrão semelhante
Arqueólogos também encontraram representação similar em escavação na Espanha. A equipe descobriu imagem de Jesus em placa antiga de vidro. A peça foi encontrada durante três anos de escavação em Cástulo. Jesus aparece com barba aparada e cabelos curtos encaracolados.
Fragmentos de vidro foram encontrados sob ruínas de edifício religioso. Em julho daquele ano, equipe desenterrou pedaços maiores com desenhos notáveis. Os cacos formaram placa datada do século IV depois de Cristo. A gravura mostra Cristo em toga de estilo romano perfeitamente preparada.
Pesquisadores identificaram objeto como patena para realização do pão da comunhão. A equipe reuniu mais de 80% da placa original. O objeto mede 22 centímetros de diâmetro aproximadamente. A peça está em exposição no museu de Linares no sudeste da Espanha.
Marcelo Castro, líder da escavação, elogiou descoberta como documento arqueológico excepcional. Três figuras com auréolas estão gravadas na peça de vidro. Cristo aparece no meio segurando cruz e Bíblia. Dois homens ao lado especula-se serem apóstolos Pedro e Paulo.
Características raras na representação histórica
Especialistas afirmam que falta de barba é característica rara em descrições históricas. O cabelo encaracolado curto também difere de representações posteriores. Castro disse que peça é relíquia de período inicial e fundamental. A descoberta data de época logo após imperador Constantino abraçar cristianismo.
Anteriormente a esse período, cristãos cultuavam Jesus em segredo. Produziam poucas imagens sacras por medo de perseguição romana. O estilo romano da patena estava presente nos primeiros momentos do cristianismo. Essa forma foi descartada mais tarde em favor de outras representações.
A equipe de arqueólogos acredita que prato foi feito em distrito de vitrais. A produção teria ocorrido em Ostia da Roma antiga. Outros raros exemplos de arte cristã primitiva semelhante existem. Peças podem ser encontradas no Museu do Louvre em Paris. Museu de Arte de Toledo em Ohio também possui exemplares.
As pátenas eram fabricadas em vidro e não em metais preciosos. Esse padrão mudou posteriormente na história do cristianismo. Para arqueólogos que consultaram especialistas em vidro antigo, a descoberta é singular. Especialistas de Espanha, Itália e outros países avaliaram o achado.
Imagem encontrada em Israel mostra batismo
Grupo de arqueólogos descobriu representação em parede de igreja antiga. A pintura foi encontrada em Shivta no sul de Israel. A descoberta data do século VI segundo estudo publicado. A gravura difere completamente da imagem cristã tradicional ocidental.
Em contraste com imagem ocidental de cabelo comprido e barba, a pintura israelense mostra figura diferente. Jesus aparece sem barba, cabelo curto e encaracolado. A representação destaca olhos e nariz grandes. Ao lado de Jesus encontra-se outra face menos visível.
Equipe de especialistas da Universidade de Haifa analisou a gravura. A pintura representa episódio bíblico do batismo de Jesus. A outra figura seria João Batista segundo pesquisadores. A descoberta original foi feita por equipe em 1920.
Devido ao mau estado de conservação, imagem não atraiu atenção inicial. A pintura está tão desgastada que investigadores modernos mal conseguiam vê-la. Emma Maayan-Fanar da Universidade de Haifa estava no lugar certo. Com ângulo correto de luz, pesquisadora viu os olhos.
Representação reflete arte bizantina primitiva
A representação de Jesus com cabelo curto foi difundida no Egito. O padrão também se espalhou pelo Mediterrâneo oriental. Áreas onde hoje estão Síria e Palestina adotaram esse estilo. A arte bizantina incorporou essa iconografia específica.
Essa forma de representação desapareceu posteriormente da tradição cristã. Pode assumir-se que Jesus tivesse aparência do Oriente Médio. Características fisiológicas comuns em populações atuais eram diferentes antigamente. Olhos escuros e cabelos curtos não eram tão comuns em tempos antigos.
Populações geneticamente distintas surgiam e desapareciam pela Terra. Não se sabe se gravuras são representações exatas da aparência real. Arqueólogos enfatizam que descoberta é muito importante. O achado pode expandir conhecimento sobre arte cristã primitiva na região.
A imagem popular de Jesus como homem branco é construção europeia. Jesus veio do Oriente Médio e provavelmente não tinha essa aparência. Ao longo de 2.000 anos, milhares de representações foram criadas. Culturas diferentes produziram interpretações variadas da figura.
Contexto histórico das primeiras representações
Os evangelhos nunca descreveram exatamente a aparência de Jesus. Todas as representações são de artistas posteriores. Gravuras sobreviventes abundam em velhos mosteiros e igrejas europeias. Em Israel e Oriente Médio são quase inexistentes.
O modelo artístico arcaico era denominado alexandrino segundo especialistas. Tratava-se de padrão próprio de etapa remota do cristianismo. A religião recém-egressa da clandestinidade ainda contava com poucas imagens. Este tipo seria abandonado mais adiante na tradição cristã.
Graças ao imperador romano Constantino, cristianismo foi legalizado. A religião deixou de ser literalmente subterrânea. Novas formas de representar Cristo ganharam preferência. O estilo inicial estava presente nos primeiros momentos do cristianismo pós-Constantino.
As primeiras imagens cristãs seguiam padrões da arte romana. Elementos como toga listrada nos ombros indicavam autoridade. Na antiga sociedade romana, esse traje era usado por pessoas importantes. A assimilação de símbolos romanos facilitou aceitação do cristianismo.
Importância das descobertas para historiadores
Estas descobertas são raras e extremamente valiosas para pesquisa histórica. Elas revelam como cristianismo primitivo se desenvolveu visualmente. As representações mostram transição de religião clandestina para aceita. Mudanças iconográficas refletem transformações sociais e políticas.
A diversidade de representações antigas contradiz uniformidade posterior. Diferentes regiões desenvolveram estilos distintos de imaginar Jesus. A padronização da iconografia ocorreu gradualmente ao longo de séculos. A imagem barbuda de cabelos longos consolidou-se tardiamente.
Especialistas consideram achados como tesouros arqueológicos inestimáveis. Cada descoberta contribui para compreensão mais profunda do cristianismo primitivo. As pinturas e gravuras oferecem evidências concretas de práticas antigas. Documentam evolução de uma das maiores religiões do mundo.
Os artefatos permitem rastrear influências culturais sobre religião. Arte romana, grega e egípcia contribuíram para iconografia cristã. A síntese cultural produziu rica variedade de representações. Essa diversidade enriquece patrimônio histórico da humanidade.
Preservação e estudo das descobertas
As peças encontradas requerem cuidados especiais de conservação. Vidro antigo e afrescos são materiais extremamente frágeis. Equipes especializadas trabalham na restauração e preservação. Tecnologias modernas auxiliam na recuperação de imagens desgastadas.
Análises com iluminação especial revelam detalhes invisíveis a olho nu. Técnicas de fotografia multiespectral recuperam pigmentos desaparecidos. Trabalho minucioso permite reconstrução de pinturas quase apagadas. Cada detalhe recuperado adiciona informação valiosa.
Museus investem em condições adequadas para exposição das peças. Controle de temperatura e umidade protege artefatos milenares. Visitantes têm oportunidade única de contemplar tesouros históricos. As exposições educam público sobre origens do cristianismo.
Pesquisadores continuam estudando os achados com novas tecnologias. Análises químicas identificam origem de materiais utilizados. Datação precisa estabelece cronologia mais confiável. Estudos comparativos conectam descobertas de diferentes regiões.
