O grupo jihadista JNIM, afiliado à Al-Qaeda, atacou um comboio de caminhões-tanque de combustível na rodovia Bamako-Bougouni nesta semana de dezembro de 2025. Os terroristas utilizaram explosivos e armas de grosso calibre para emboscar os veículos, resultando no incêndio de várias unidades de transporte. A rodovia RN7 é considerada a principal artéria de abastecimento para a capital, Bamako, que depende fortemente das importações vindas da Costa do Marfim.
Este ataque marca o fim de uma breve trégua e a retomada violenta de um bloqueio econômico iniciado em setembro. O JNIM busca estrangular a economia do país e pressionar a junta militar governante a adotar exigências extremistas. Relatos locais indicam que os motoristas enfrentam ameaças constantes e extorsões ao longo dos corredores comerciais vitais.
Atualmente, o Mali enfrenta uma escassez severa de gasolina e diesel, o que paralisou serviços civis e forçou o fechamento de escolas. As autoridades de segurança confirmaram o incidente, mas admitem dificuldades em manter a proteção contínua nos milhares de quilômetros de rotas terrestres.
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A estratégia de guerra econômica adotada pelos jihadistas já resultou na destruição de mais de cem caminhões nos últimos meses. Esse cenário provocou uma alta desenfreada nos preços dos transportes e alimentos básicos em todo o sul do país.
A estratégia de asfixia econômica do Sahel
O bloqueio imposto pelo JNIM visa isolar Bamako do comércio regional com países costeiros como Senegal e Costa do Marfim. Especialistas em segurança afirmam que o grupo utiliza o controle das estradas para desafiar a legitimidade do Estado e promover o caos social. A tática de queimar combustíveis é uma forma eficaz de causar danos econômicos imediatos sem a necessidade de capturar territórios urbanos densos.
Inclusive, o governo maliano tentou utilizar o apoio de mercenários russos do Grupo Wagner e drones turcos para escoltar os comboios. No entanto, a persistência dos ataques na rodovia RN7 demonstra que as medidas militares atuais são insuficientes para conter a mobilidade das células insurgentes. Segundo dados oficiais sobre o setor, o fornecimento de energia na capital está operando em níveis críticos de reserva.
Ademais, a crise energética está gerando falhas recorrentes no sistema elétrico, impactando hospitais e operações industriais que dependem de geradores. Além disso, a população urbana começa a demonstrar sinais de impaciência com a inflação e a insegurança crescente nas áreas anteriormente consideradas seguras.
Riscos regionais e a resposta militar
A expansão das operações do JNIM para o sul e oeste do Mali coloca em risco a estabilidade de nações vizinhas. Países como Benin e Togo já reforçaram suas fronteiras para evitar a infiltração de combatentes jihadistas. Além do mais, a asfixia comercial impacta os portos regionais que dependem do trânsito de mercadorias para o interior do continente.
Consequentemente, embaixadas ocidentais emitiram alertas de viagem e instaram seus cidadãos a deixar o Mali devido ao agravamento da crise. Conforme a declaração de lideranças, a segurança nas rodovias nacionais tornou-se uma prioridade inegociável para a sobrevivência do regime atual.
Por outro lado, o governo tenta diversificar as rotas de abastecimento, mas a dependência geográfica torna essas alternativas mais caras e demoradas. Portanto, a situação em Bamako permanece precária enquanto os ataques a comboios continuam a ser o principal instrumento de pressão política dos grupos extremistas.
Assim sendo, o futuro do Mali depende da capacidade de restabelecer o controle sobre as rodovias estratégicas antes que o colapso econômico se torne irreversível. O portal continuará monitorando os desdobramentos desta crise de segurança internacional.