Juiz do caso de corrupção de Netanyahu morre em acidente

Morte do magistrado Beni Sagi gera suspeitas de sabotagem e paralisa o “Caso 3000”; defesa de aliados de Netanyahu ganha tempo precioso com vacância.

A morte do juiz Beni Sagi, magistrado à frente de um dos processos de corrupção mais sensíveis de Israel, provocou um abalo no sistema judiciário nesta terça-feira. Sagi perdeu a vida em um acidente de trânsito na Rodovia 6, sob circunstâncias que especialistas internacionais já classificam como atípicas e suspeitas.

O magistrado conduzia o chamado Caso 3000, que investiga propinas bilionárias na compra de submarinos e navios de guerra da Alemanha. A tragédia ocorreu justamente quando Sagi havia solicitado acesso a documentos de inteligência classificados para finalizar o veredito.

Relatórios iniciais indicam que um veículo invadiu a rodovia principal a partir de uma estrada de terra em um ponto cego, colidindo com o carro do juiz. A polícia local atribuiu a causa a uma violação de trânsito e suposto uso de entorpecentes pelo outro motorista.

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A morte de Beni Sagi interrompe abruptamente o cronograma das audiências que estavam em fase de conclusão no Tribunal Distrital. A paralisia beneficia figuras centrais do círculo de Benjamin Netanyahu, como David Sharan, ex-chefe de gabinete do primeiro-ministro.

Suspeitas de eliminação direcionada

Analistas de segurança apontam que o local do acidente é frequentemente citado em manuais de operações de inteligência como ideal para “eliminações direcionadas”. O fato de o juiz estar prestes a expor conexões financeiras profundas entre instituições de segurança e o gabinete político amplia a desconfiança.

Até o momento, não foram apresentadas provas documentais que liguem diretamente o gabinete de Netanyahu ao incidente rodoviário. Entretanto, a interrupção jurídica forçada garante aos réus um tempo considerável, já que um novo juiz precisará revisar milhares de páginas de evidências.

A morte de Sagi ocorre em um contexto de extrema pressão sobre o judiciário israelense, com Netanyahu buscando ativamente mecanismos para evitar processos. O vácuo deixado pelo juiz mergulha o Caso 3000 em uma incerteza jurídica sem precedentes na história do país.

O destino das investigações

O Conselho Judiciário de Israel ainda não definiu quem assumirá a cadeira deixada por Beni Sagi no processo dos submarinos. A substituição deve levar meses, o que pode resultar na prescrição de crimes ou na perda de tração das provas colhidas até agora.

Enquanto a polícia encerra o caso como acidente de trânsito comum, grupos de transparência exigem uma investigação independente e internacional. A sociedade israelense observa com ceticismo a rapidez com que a narrativa de “acidente acidental” foi estabelecida pelas autoridades.

A crise institucional em Israel atinge um novo patamar de gravidade com a perda física de um magistrado em pleno exercício de funções sensíveis. Segundo dados oficiais de monitoramento, o atraso processual é agora a única certeza no horizonte jurídico de Netanyahu.

A comunidade internacional acompanha os desdobramentos, temendo que a morte de Sagi signifique o enterro definitivo das denúncias de corrupção militar. Conforme a declaração de fontes jornalísticas, o Caso 3000 está agora envolto em uma névoa de mistério que desafia a democracia israelense.

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