Manifestantes incendeiam sede da TV estatal no Irã

Revolta popular atinge nível crítico com a destruição da emissora oficial do governo; prédio da “Globo do Irã” é tomado pelo fogo durante protestos nesta quinta-feira.

A crise no Irã atingiu um ponto de ruptura nesta quinta-feira (08) com o ataque direto à sede da rede IRIB, a emissora estatal de rádio e televisão. Manifestantes furaram os bloqueios de segurança e atearam fogo em partes do complexo em Teerã, considerado o principal braço de propaganda do regime dos Aiatolás. O incêndio ocorre em um momento de extrema tensão, com o país sob lockdown e internet cortada.

A rede IRIB é frequentemente chamada de “Globo do Irã” por seu monopólio e alcance nacional, mas é odiada por dissidentes por transmitir confissões forçadas e notícias favoráveis ao governo. Testemunhas relatam que o fogo se espalhou rapidamente após o arremesso de coquetéis molotov contra a fachada principal. As forças de segurança responderam com munição real, elevando o número de feridos nas proximidades do prédio.

O ataque simboliza o desespero de uma população que enfrenta inflação galopante e repressão violenta. Ao atingir a televisão estatal, os manifestantes buscam calar a narrativa oficial e mostrar que o controle do Estado sobre a informação está colapsando. O prédio da IRIB abriga não apenas estúdios, mas também arquivos históricos e centros de inteligência que monitoram o conteúdo distribuído no país.

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A estratégia de isolamento do governo, que incluiu o desligamento de sites e telefones, parece ter gerado o efeito oposto nas ruas. Sem canais de comunicação digital, a revolta tornou-se física e descentralizada, focando em alvos institucionais. A queda da IRIB, mesmo que temporária, representa um golpe psicológico devastador para a elite governante, que utiliza a TV como sua principal ferramenta de controle social.

O colapso da propaganda estatal

Analistas internacionais apontam que o incêndio na IRIB pode ser o “momento de virada” dos protestos de 2026. A destruição de símbolos do poder indica que o movimento não busca mais reformas, mas a derrubada total do sistema. Tropas da Guarda Revolucionária foram deslocadas para proteger outros prédios governamentais, temendo que a onda de incêndios se espalhe para ministérios e bases militares.

O silêncio das transmissões oficiais após o início do incêndio aumentou o pânico entre os defensores do regime. Enquanto as chamas consumiam os estúdios, apenas sinais de teste e reprises eram exibidos em alguns canais, confirmando a interrupção técnica do serviço. O mundo observa através de imagens de satélite e relatos via Starlink o que pode ser o fim da hegemonia comunicacional de Teerã sobre seu próprio povo.

Para acompanhar os detalhes técnicos sobre os danos à infraestrutura e a resposta militar do governo, consulte os boletins da mídia internacional independente e os relatórios sobre o estado das comunicações no Oriente Médio. Estes canais de autoridade validam a gravidade do incidente em meio ao blecaute.

Resposta internacional e repressão

A comunidade global reagiu com preocupação ao ataque à sede da mídia estatal, prevendo uma vingança violenta por parte do Aiatolá. O presidente Donald Trump já sinalizou que os Estados Unidos estão monitorando a situação e prontos para agir caso a matança de manifestantes continue. A tensão diplomática atingiu o ápice, com o Irã acusando potências estrangeiras de orquestrarem o incêndio na rede IRIB.

Por enquanto, o governo iraniano não confirmou o número de vítimas dentro do complexo de televisão. A fumaça negra que sobe de Teerã é visível a quilômetros de distância, servindo como um farol para novos focos de protesto. O destino da “Globo do Irã” reflete o destino de um regime que perdeu a capacidade de convencer seu povo através das telas e agora tenta fazê-lo através da força bruta.

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