A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, declarou nesta quarta-feira que considera prematura a assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul. A fala da líder italiana representa um duro golpe para as pretensões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que esperava concluir o tratado no próximo sábado.
Durante discurso ao Parlamento em Roma, Meloni afirmou que o governo italiano não está pronto para avalizar o pacto sem novas salvaguardas. As medidas de proteção aos produtores rurais europeus ainda não foram totalmente finalizadas pela Comissão Europeia.
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Essa movimentação reforça a resistência liderada pela França, criando uma barreira política difícil de ser superada nos próximos dias. Certamente, o recuo da Itália é visto como um balde de água fria na diplomacia brasileira, que contava com o apoio de Roma para isolar a oposição francesa.
O impasse político no Conselho Europeu
O presidente Lula havia cobrado publicamente, nesta terça-feira, que Meloni e Emmanuel Macron assumissem a responsabilidade pela conclusão das negociações. Todavia, o partido de Meloni, o Irmãos de Itália, defende que as salvaguardas atuais são insuficientes para garantir competitividade igualitária.
Para que o acordo seja assinado, é necessária uma maioria qualificada de 15 dos 27 Estados-membros, representando 65% da população da União Europeia. O alinhamento entre Itália e França fortalece a chamada minoria de bloqueio, capaz de impedir legalmente o mandato da Comissão Europeia para a assinatura.
Embora Meloni tenha dito que não pretende bloquear o acordo permanentemente, ela sinalizou que a conclusão deve ficar para o início de 2026. Ademais, a exigência de cláusulas de reciprocidade ambiental e trabalhista mais rígidas continua sendo o principal ponto de atrito entre os blocos.
Consequências para o governo brasileiro
A cúpula de chefes de estado do Mercosul, em Foz do Iguaçu, deveria ser o palco da celebração histórica do tratado. Agora, o Itamaraty trabalha para evitar que o evento se transforme em um símbolo de estagnação diplomática após décadas de debates.
Lula argumenta que o Mercosul já cedeu o suficiente e que a resistência europeia atende a interesses protecionistas locais. Enquanto isso, a Alemanha e outros países do norte da Europa tentam uma última cartada para convencer o governo italiano a mudar de posição.
O desfecho dessa crise terá impacto direto no protagonismo global que o Brasil busca consolidar após sediar o G20. Sem o apoio da Itália, a assinatura estratégica em solo brasileiro corre risco real de ser adiada por tempo indeterminado.