Mercosul inicia cúpula sob pressão de protestos e veto europeu

Líderes se reúnem em Foz do Iguaçu enquanto agricultores europeus cercam Bruxelas para impedir assinatura do tratado bilionário entre os blocos.

A 67ª Cúpula do Mercosul começou oficialmente nesta quinta-feira (18) em Foz do Iguaçu, no Paraná, sob um clima de incerteza e forte pressão internacional. O encontro ministerial de hoje prepara o terreno para a reunião de chefes de Estado, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende assinar o acordo de livre comércio com a União Europeia. Contudo, a abertura dos trabalhos foi ofuscada por manifestações violentas na Europa, onde milhares de agricultores cercaram sedes governamentais.

Em Bruxelas, sindicatos agrícolas organizaram um “cerco de tratores” para protestar contra o que chamam de concorrência desleal dos produtos sul-americanos. Os produtores europeus alegam que as carnes e grãos do Mercosul não seguem as mesmas exigências ambientais e sanitárias vigentes no Velho Continente. Esse descontentamento social alimenta a resistência política da França, que já sinalizou que usará todos os meios para bloquear a assinatura do tratado.

Resistência da França e Itália

O presidente francês Emmanuel Macron reiterou nesta semana que a França se opõe “veementemente” ao texto em sua forma atual. Ao lado da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, Macron tenta formar uma coalizão de bloqueio no Conselho Europeu para impedir que a Comissão Europeia finalize o pacto no sábado. De acordo com as regras do bloco, são necessários quatro países com pelo menos 35% da população para travar a decisão.

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Lula, por sua vez, subiu o tom e cobrou que as potências europeias assumam a responsabilidade histórica de concluir o acordo negociado há 26 anos. O governo brasileiro cedeu em pontos críticos sobre compras governamentais para tentar viabilizar a aprovação imediata. Conforme dados apurados, o presidente brasileiro alertou que esta é a “última chance” do tratado sob sua presidência.

Impacto econômico e social

Caso seja assinado, o acordo criará a maior zona de livre comércio do planeta, atingindo um PIB combinado de US$ 22 trilhões. Para a indústria brasileira, isso representa o fim de tarifas de importação em diversos setores, como máquinas e veículos. No entanto, entidades da sociedade civil presentes na Cúpula Social em Foz do Iguaçu também manifestam preocupações sobre o impacto nas pequenas propriedades rurais.

A tensão diplomática deve atingir o auge na sexta-feira, quando os ministros da Economia e Relações Exteriores tentarem fechar o texto final. Segundo reportagem da Exame, a Itália considera a assinatura “prematura”, o que pode forçar um adiamento para 2026. O mercado financeiro monitora o evento com cautela, prevendo volatilidade nas bolsas caso o anúncio de fracasso seja confirmado nas próximas horas.

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