O presidente argentino Javier Milei criticou duramente o funcionamento do Mercosul durante o encerramento da cúpula de chefes de Estado. O encontro ocorreu na cidade de Foz do Iguaçu neste final de semana. Milei afirmou que o bloco sul-americano se tornou um obstáculo ao desenvolvimento econômico regional. Segundo o líder libertário, a burocracia interna impede que as nações aproveitem suas vantagens exportadoras.
A declaração mais forte de Milei ocorreu quando ele chamou o Mercosul de uma “prisão” comercial. Ele utilizou o novo adiamento do acordo com a União Europeia como exemplo central de ineficiência. O pacto entre os dois blocos enfrenta resistências em países como a França e a Itália. Milei destacou que as negociações se arrastam há mais de duas décadas sem resultados práticos.
O governo argentino defende agora a flexibilidade total para negociar acordos bilaterais de forma independente. Milei acredita que cada país deve ter autonomia para buscar parceiros globais sem depender do consenso do bloco. Esta postura gera um conflito direto com a visão do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. O Brasil prefere manter a unidade para negociar com maior peso geopolítico internacional.
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A cúpula terminou sem a assinatura do histórico tratado de livre comércio com os europeus. A União Europeia solicitou mais tempo para finalizar procedimentos internos no seu Conselho e Parlamento. Além disso, a recusa recente da Itália em validar os termos atuais postergou o ato oficial. O cenário aumentou o clima de frustração entre os exportadores brasileiros e argentinos.
Oposição entre Brasil e Argentina em Foz do Iguaçu
As divergências entre os dois maiores parceiros do bloco não ficaram restritas apenas ao comércio externo. O tema da segurança regional e a situação política na Venezuela também dominaram os debates acalorados. Milei elogiou abertamente a pressão exercida pelo governo dos Estados Unidos contra o regime venezuelano. Por outro lado, Lula alertou para os riscos de uma intervenção estrangeira no continente.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, assumiu a presidência rotativa do Mercosul durante a cerimônia. Peña demonstrou impaciência com a demora dos líderes europeus em cumprir as promessas de integração. O líder paraguaio sugeriu que o bloco deve focar em parcerias com países da Ásia Central. Dessa forma, o segundo dados oficiais da cúpula, o Mercosul busca agora diversificar sua pauta de 11 novos acordos.
Futuro do bloco e autonomia comercial
A pressão da Argentina por reformas profundas pode alterar as regras tarifárias vigentes nos próximos meses. Milei argumenta que a tarifa externa comum encarece a importação de bens produtivos essenciais. Este custo elevado tornaria a indústria sul-americana menos competitiva no cenário global. No entanto, setores industriais do Brasil temem que uma abertura brusca cause desemprego em massa.
Conforme a declaração de especialistas diplomáticos, a sobrevivência do bloco depende da conciliação entre liberalismo e protecionismo. O ano de 2026 será decisivo para testar a resiliência das instituições regionais frente ao isolacionismo. Milei encerrou sua participação reafirmando que não há mais dez anos para desperdiçar em reuniões protocolares. A Argentina promete manter a ofensiva por uma nova fórmula de negociação comercial.