A capital iraniana, Teerã, vive dias de tensão extrema com a continuidade de protestos populares que desafiam diretamente a cúpula do governo. O movimento iniciou-se no último domingo (28) motivado pelo colapso financeiro do país, mas rapidamente evoluiu para uma pauta política contra o regime vigente. Milhares de pessoas ocupam as ruas centrais e praças históricas para exigir mudanças profundas na gestão do Estado.
O Grand Bazaar, considerado o coração econômico da nação, permanece com as portas fechadas por quatro dias consecutivos. Comerciantes e lojistas decidiram pela greve geral após a moeda local, o Rial, atingir a mínima histórica de 1,45 milhão por dólar. Essa desvalorização severa inviabilizou o comércio básico e desencadeou uma crise de desabastecimento em diversos setores produtivos.
Estudantes de pelo menos seis grandes universidades de Teerã aderiram às manifestações nesta terça-feira. Os cânticos de “liberdade” ecoam pelos campus, enquanto forças da Guarda Revolucionária monitoram os acessos às instituições de ensino. Relatos de confrontos violentos surgiram em pontos como a Universidade de Teerã, onde a polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar os grupos.
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A resposta governamental tem sido ambígua diante da pressão popular crescente nas principais cidades. O presidente Masoud Pezeshkian instruiu oficialmente as autoridades a ouvirem as demandas consideradas legítimas da população insatisfeita. Todavia, as forças de segurança continuam realizando prisões de ativistas e lideranças estudantis sob a acusação de conspiração externa.
Crise cambial e o impacto na sociedade
O gatilho econômico desta crise reside na inflação que saltou para patamares superiores a 50% em alguns setores alimentícios. Famílias iranianas relatam dificuldades extremas para adquirir itens básicos devido ao custo de vida insustentável. O cenário piorou drasticamente após a ativação de novas sanções financeiras internacionais que restringiram ainda mais o fluxo de capital.
Analistas internacionais apontam que o governo enfrenta um dilema entre a repressão total e a necessidade de diálogo. A desconfiança da população nas instituições financeiras atingiu o nível mais alto em décadas, segundo observadores locais. Conforme a declaração de especialistas em geopolítica, a manutenção deste estado de sítio pode isolar o país diplomaticamente em um momento de fragilidade interna.
Pressão internacional e futuro do regime
A comunidade global observa atentamente os desdobramentos em Teerã devido ao peso do Irã na estabilidade do Oriente Médio. O aumento da tensão diplomática com potências ocidentais agrava a percepção de risco para investidores e parceiros comerciais remanescentes. Muitos iranianos no exterior utilizam redes sociais para amplificar as imagens dos protestos e buscar apoio de organizações de direitos humanos.
O desfecho desta onda de insatisfação permanece incerto, mas a união entre a classe comerciante e os estudantes representa um marco histórico. Segundo dados oficiais de monitoramento de conflitos, esta é a maior mobilização popular desde os eventos de 2022. As autoridades de segurança permanecem em alerta máximo para evitar que os protestos se espalhem por infraestruturas críticas de energia e petróleo.
A continuidade das greves pode forçar o Banco Central do Irã a adotar medidas drásticas de intervenção no câmbio. Contudo, o mercado financeiro reage com pessimismo, conforme a declaração de analistas econômicos que preveem maior volatilidade. A situação em Teerã reflete o esgotamento de um modelo que tenta equilibrar ideologia e sobrevivência econômica em um mundo globalizado.
A resiliência dos manifestantes indica que o descontentamento superou a barreira do medo imposta pela repressão. O governo agora tenta conter a onda de dissidência enquanto lida com uma moeda em queda livre e sanções sufocantes. O mundo aguarda para ver se o regime optará por reformas reais ou se intensificará o uso da força militar para retomar o controle das ruas.
