Relatos do Irã descrevem massacre com mais de 12 mil mortos

Sob silêncio digital, forças de segurança teriam usado munição real contra multidões; médicos relatam necrotérios superlotados em Teerã e Shiraz.

Relatos desesperadores que começam a atravessar as fronteiras digitais do Irã descrevem um cenário de horror absoluto. Iranianos que estabeleceram comunicação via satélite afirmam que a repressão da República Islâmica nos dias 8 e 9 de janeiro de 2026 resultou em um número de vítimas muito superior ao que as ONGs conseguiram documentar até agora. “A estimativa de 12.000 mortos é uma piada em comparação com o número real”, afirmou uma testemunha sob anonimato, descrevendo pilhas de corpos em hospitais de Teerã.

A investigação conduzida pela rede Iran International, baseada em fontes internas do Conselho Supremo de Segurança Nacional e do IRGC, aponta que o comando para “atirar para matar” partiu diretamente da cúpula do regime. Durante o blecaute de internet, forças da Guarda Revolucionária e da milícia Basij teriam cercado manifestantes em diversas cidades, utilizando armamento pesado contra civis desarmados. Em Teerã, no necrotério de Kahrizak, jornalistas cidadãos relataram ter visto centenas de corpos aguardando identificação em caminhonetes.

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A escala do que está sendo chamado de “o maior massacre da história contemporânea do Irã” é evidenciada pela sobrecarga do sistema de saúde. Médicos em Shiraz e Mashhad relatam que foram proibidos de registrar a causa real das mortes, sendo coagidos a listar óbitos como “acidentes” ou “causas naturais” sob ameaça de prisão. A Amnesty International classificou as ações como “execuções extrajudiciais em escala industrial”, exigindo uma resposta diplomática global imediata para interromper a impunidade do regime.

O Silêncio Digital e as Provas que Emergem

A estratégia de desligar a rede mundial de computadores permitiu que as forças de segurança agissem sem o escrutínio imediato das redes sociais. No entanto, vídeos gravados em segredo mostram o uso de metralhadoras contra multidões em bairros como Narmak, na capital. De acordo com a Human Rights Activists News Agency (HRANA), o número de detidos já ultrapassa 18 mil pessoas, gerando temores de execuções em massa nos presídios nas próximas semanas.

A reação internacional começou a endurecer nesta semana. Líderes globais, incluindo o presidente dos EUA e a Comissão Europeia, condenaram o “banho de sangue” e anunciaram novas sanções. No entanto, para os iranianos no terreno, as palavras de condenação parecem insuficientes diante da magnitude da tragédia que ainda se desenrola. “Eles estão caçando jovens nas ruas como se fossem animais”, relatou uma fonte, reforçando que a crise humanitária é a mais grave do século no país.

Situação nos Hospitais e Necrotérios

Os dados obtidos por organizações de direitos humanos mostram que pelo menos 734 mortes já foram confirmadas com nomes e identidades, mas este número é apenas a “ponta do iceberg”. Em um único hospital de Isfahan, fontes independentes registraram a entrada de 1.600 corpos em menos de 48 horas. O apelo desesperado da Organização Nacional de Transfusão de Sangue por doadores reforça que a quantidade de feridos é incalculável e supera a capacidade de atendimento das províncias.

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