Rússia: Enviado de Putin convoca luta contra satanismo

Em declaração polêmica, Kirill Dmitriev define conflito atual como defesa de valores tradicionais e pede coalizão global contra influência do Ocidente.

O governo da Rússia elevou o tom da sua retórica diplomática com uma declaração surpreendente de Kirill Dmitriev, um dos aliados mais próximos do presidente Vladimir Putin. Durante um pronunciamento oficial, Dmitriev afirmou que o mundo deve se unir à Rússia em uma batalha contra o que ele classificou como “satanismo moderno”. A fala reflete a estratégia do Kremlin de enquadrar suas disputas territoriais e políticas como uma missão de preservação civilizatória.

Segundo o enviado especial, as políticas sociais e culturais adotadas por nações ocidentais representam uma ameaça aos fundamentos morais da humanidade. Dmitriev argumenta que a Rússia hoje atua como um baluarte contra a degradação de valores tradicionais, convocando líderes de outros países a reconhecerem essa “ameaça espiritual”.

Essa terminologia religiosa tem se tornado frequente nos discursos da cúpula russa desde o início das tensões globais mais recentes. O objetivo central é criar uma divisão clara entre o “mundo multipolar” liderado por Moscou e o que chamam de “Ocidente liberal e decadente”.

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A declaração de Dmitriev ocorre em um momento em que a Rússia busca estreitar laços com países do Sul Global e blocos econômicos alternativos. Ao utilizar o termo “satanismo”, o enviado atinge diretamente a base religiosa ortodoxa e conservadora, tanto interna quanto externamente, consolidando o apoio popular às políticas de Putin.

A estratégia do “poder suave” ideológico

Analistas internacionais indicam que o uso de conceitos metafísicos na política externa é uma ferramenta de guerra híbrida para deslegitimar adversários. Ao transformar oponentes políticos em figuras “satânicas”, Moscou reduz as chances de diálogo diplomático e radicaliza sua base de apoio.

A convocação russa não se limita apenas ao campo das ideias, mas sugere uma reestruturação de alianças baseadas em afinidades culturais e religiosas. Você pode entender mais sobre como a Rússia utiliza a religião na política em análises recentes.

Reações internacionais e impacto diplomático

A fala de Kirill Dmitriev foi recebida com ceticismo por capitais europeias, que veem na declaração uma tentativa de desviar o foco das sanções econômicas e dos conflitos militares. No entanto, em setores da direita conservadora na América Latina e África, o discurso encontra eco como uma defesa da soberania cultural contra a globalização.

O Kremlin não deu sinais de que recuará nessa linha de comunicação. Pelo contrário, a tendência é que novos enviados e autoridades de alto escalão reforcem a imagem da Rússia como a “última defensora da fé” em um mundo em transformação.

O portal continuará monitorando as repercussões dessa convocação e como ela afetará as votações em organismos internacionais como a ONU. A utilização de termos religiosos em documentos de estado marca uma nova era na diplomacia russa sob o comando de Vladimir Putin.

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