Confrontos violentos atingiram o Grande Bazar de Teerã nesta terça-feira, marcando o nono dia consecutivo de revolta popular em todo o Irã. As forças de segurança de Ali Khamenei utilizaram gás lacrimogêneo e munição real para dispersar comerciantes que iniciaram uma greve geral massiva contra o governo.
O fechamento dos portões do bazar histórico sinaliza uma adesão sem precedentes do setor comercial aos protestos que começaram pela crise econômica. A mobilização paralisou o centro da capital e forçou o desdobramento de unidades motorizadas da guarda repressiva para tentar reabrir as lojas à força.
Testemunhas relataram que agentes à paisana circularam pelos corredores do mercado ameaçando confiscar mercadorias de quem mantivesse as portas fechadas. A resistência dos mercadores gerou focos de incêndio em ruas adjacentes para neutralizar o efeito das bombas químicas lançadas pela polícia.
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A desvalorização acelerada do rial iraniano, que atingiu o valor histórico de 1,4 milhão por dólar, destruiu o poder de compra da população local. O aumento exponencial no custo de vida transformou reivindicações financeiras em um movimento político explícito que exige a queda imediata do líder supremo.
Militarização do centro comercial
A presença de forças especiais transformou o entorno do Grande Bazar em uma zona militarizada com bloqueios de internet e cerco físico. Diversos vídeos compartilhados em redes sociais mostram manifestantes gritando frases contra o regime enquanto fogem de disparos realizados por agentes posicionados em telhados.
O impacto da greve no bazar é profundo, pois o local funciona como o termômetro da estabilidade política do país desde a revolução. A recusa dos comerciantes em operar sob as atuais condições econômicas retira a legitimidade financeira que ainda sustentava a administração central em Teerã.
Hospitais da região registraram a entrada de dezenas de feridos por estilhaços e intoxicação severa por gás. O regime tenta conter a narrativa oficial minimizando o tamanho dos atos, mas a magnitude das interrupções comerciais sugere um movimento de escala nacional impossível de ignorar.
Repressão e escalada internacional
A comunidade internacional observa com cautela a reação desproporcional do Estado iraniano contra civis desarmados em áreas densamente povoadas. O uso de gás lacrimogêneo dentro de estações de metrô próximas ao bazar agravou o pânico entre passageiros e trabalhadores que tentavam deixar a área.
O governo americano e líderes europeus já sinalizaram que novas sanções podem ser aplicadas caso a violência contra os manifestantes não seja cessada imediatamente. A pressão externa soma-se ao isolamento interno de Khamenei, cujas forças de segurança começam a enfrentar fadiga operacional diante de tantos focos simultâneos.
A crise atual é descrita como o maior desafio ao poder clerical desde 2022, unindo diferentes estratos sociais contra o alto custo de vida. Segundo dados oficiais de direitos humanos, o número de mortos em todo o país já ultrapassa a marca de 30 pessoas desde o início do ano.
As autoridades locais negam o uso de força excessiva, embora conforme a declaração de agências independentes, as evidências visuais confirmem ataques sistemáticos contra grupos de jovens e lojistas. A situação permanece tensa e sem sinais de uma resolução diplomática a curto prazo.