Teerã: Protestos tomam ruas após colapso do rial

Comerciantes do Grande Bazar suspendem atividades e marcham pela capital iraniana enquanto a Guarda Revolucionária entra em estado de alerta máximo.

Milhares de manifestantes e comerciantes ocupam as ruas de Teerã nesta segunda-feira em protesto contra a crise e o regime islâmico. O movimento ganhou força após o rial atingir sua mínima histórica frente ao dólar. Os lojistas do Grande Bazar decidiram fechar as portas em sinal de greve geral. Esta ação paralisou o coração comercial da capital e intensificou a pressão sobre o governo.

A desvalorização da moeda nacional ultrapassou marcas críticas durante o último fim de semana. O câmbio atingiu aproximadamente 1,45 milhão de riais por dólar no mercado paralelo. Esse colapso financeiro interrompeu o abastecimento de produtos básicos e eletrônicos nos principais centros comerciais. Muitos mercadores afirmam que a manutenção das lojas abertas tornou-se economicamente inviável.

Os manifestantes marcham pelas avenidas centrais e entoam palavras de ordem contra os líderes religiosos. Grupos de jovens e trabalhadores pedem o fim da teocracia e criticam a gestão econômica do presidente Masoud Pezeshkian. A multidão desafia abertamente as forças de segurança em pontos estratégicos como a Rua Jomhouri. A Guarda Revolucionária declarou estado de alerta total para conter o avanço das marchas populares.

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A repressão policial aumentou consideravelmente nas últimas horas com o uso de gás lacrimogêneo. Relatos locais indicam confrontos diretos entre manifestantes e agentes sob a ponte Hafez. O governo tenta limitar a circulação de vídeos e informações através do bloqueio parcial da internet. Entretanto as imagens de bazares vazios e ruas lotadas continuam a circular em redes sociais internacionais.

A crise atual é alimentada por décadas de isolamento financeiro e má gestão dos recursos naturais. A inflação anual ultrapassou o índice de 55% e corroeu os salários da classe trabalhadora. Segundo dados oficiais os lojistas estenderam a greve para o segundo dia consecutivo nesta segunda-feira. Essa persistência demonstra um nível de insatisfação que supera as ondas de protestos registradas em anos anteriores.

A comunidade internacional observa com preocupação a possibilidade de um novo levante generalizado no Irã. O custo de vida insustentável obriga famílias a cortarem itens essenciais da dieta diária. Conforme a declaração de comerciantes locais a volatilidade cambial impede qualquer planejamento financeiro mínimo. A falta de uma solução política imediata sugere que os conflitos de rua podem se intensificar nos próximos dias.

O simbolismo do Grande Bazar

O fechamento do Grande Bazar carrega um peso político histórico inegável para o regime de Teerã. Os mercadores deste centro foram fundamentais para derrubar a monarquia e instalar o atual sistema em 1979. Atualmente esses mesmos setores produtivos acusam o governo de impor uma bancarrota forçada ao país. A ruptura entre a elite comercial e o clero sinaliza um desgaste profundo na base de apoio da República Islâmica.

Os protestos também atingiram outras grandes cidades como Mashhad nas últimas horas. A expansão geográfica do movimento dificulta a ação coordenada das forças paramilitares. Manifestantes pedem que os militares se recusem a atirar contra a própria população. O clima de tensão é agravado por rumores de novas mudanças nos preços dos combustíveis.

Perspectivas de hyperinflação e caos

Especialistas alertam para o risco iminente de uma hiperinflação descontrolada no território iraniano. O Banco Central não consegue intervir de forma eficaz para estabilizar o valor do rial. A dependência excessiva de importações torna o preço dos remédios e grãos extremamente sensível ao dólar. Sem reformas estruturais ou o fim das sanções a economia caminha para um colapso total.

O Parlamento iraniano enfrenta debates acalorados sobre a incapacidade de conter a revolta das ruas. Deputados admitem que o som dos passos dos manifestantes já ecoa nos corredores do poder. A sociedade civil aguarda um posicionamento oficial do Líder Supremo Ali Khamenei. Enquanto isso Teerã permanece como um barril de pólvora pronto para explodir diante de qualquer novo aumento de impostos.

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