Trinidad e Tobago autorizou nesta segunda-feira o trânsito de aeronaves militares dos Estados Unidos por seus aeroportos. A decisão acirra a disputa diplomática com a Venezuela. O anúncio foi feito pelo Ministério de Relações Exteriores do país caribenho. A medida permite operações logísticas americanas nas próximas semanas em território trinitense.
A autorização abrange os aeroportos internacionais de Piarco, localizado em Trinidad, e Arthur NR Robinson, situado em Tobago. Segundo o governo local, os movimentos terão caráter logístico. As operações facilitarão reabastecimento de suprimentos e rotação de pessoal militar americano na região.
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O Ministério de Relações Exteriores classificou a medida como parte da cooperação bilateral sustentada entre os dois países. O ministro Sean Sobers reafirmou o compromisso de Trinidad e Tobago com a segurança regional. A primeira-ministra Kamla Persad-Bissessar, no cargo desde abril de 2025, mantém diálogo permanente com a Embajada dos Estados Unidos em Porto Espanha.
A decisão ocorre em contexto de crescente presença militar americana no Caribe. O Pentágono intensificou operações na região desde meados de 2025. O desdobramento inclui sete navios de guerra, um submarino nuclear de ataque, drones e caças. O porta-aviões USS Gerald R. Ford, o maior do mundo, integra o grupo de ataque.
Operações militares conjuntas intensificam presença americana
Trinidad e Tobago vem participando de exercícios militares com forças dos Estados Unidos desde outubro de 2025. O destruidor USS Gravely fez escala no país em 26 de outubro. A visita provocou reação imediata do governo venezuelano, que classificou a movimentação como ameaça.
Cerca de 350 efetivos da 22ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos realizaram treinamentos conjuntos com a Força de Defesa de Trinidad e Tobago entre 16 e 21 de novembro. Os exercícios ocorreram em território trinitense, a apenas 11 quilômetros da costa venezuelana no ponto mais estreito.
Em novembro, fuzileiros americanos instalaram no aeroporto Arthur NR Robinson um sistema de radar militar AN/TPS-80 G/ATOR. O equipamento é fabricado pela empresa Northrop Grumman. Persad-Bissessar confirmou a existência do radar em 27 de novembro após questionamentos da imprensa local.
O radar possui capacidade de detectar aeronaves, drones e mísseis de longo alcance. A instalação do equipamento foi inicialmente descrita como auxílio para projeto de construção de estradas. Posteriormente, o governo reconheceu a presença de pelo menos 100 fuzileiros navais no país.
Venezuela suspende fornecimento de gás em retaliação
A Venezuela anunciou hoje a suspensão imediata de todos os acordos para fornecimento de gás natural a Trinidad e Tobago. A decisão foi comunicada pelo chanceler Yván Gil Pinto. O governo de Nicolás Maduro acusa o país vizinho de participar do que classifica como pirataria americana.
O comunicado venezuelano menciona especificamente a apreensão de um navio petroleiro por forças dos Estados Unidos em 10 de dezembro. Caracas afirma que Trinidad e Tobago colaborou ativamente na operação. O documento acusa Persad-Bissessar de manter agenda hostil contra a Venezuela desde sua chegada ao governo.
O acordo de cooperação energética entre Venezuela e Trinidad e Tobago estava em vigor desde 2023. O pacto incluía o projeto Campo Dragón, que prevê exploração conjunta de yacimientos de gás. A iniciativa conta com participação da empresa holandesa Shell e da National Gas Company de Trinidad.
Trinidad e Tobago enfrentava escassez de recursos gasíferos próprios. O país dependia parcialmente do fornecimento venezuelano para processar e exportar gás natural liquefeito. A suspensão do acordo pode impactar a economia energética da nação caribenha.
Contexto geopolítico amplia tensões no Caribe
Os Estados Unidos justificam a presença militar no Caribe como operação de combate ao narcotráfico. Washington acusa Maduro de liderar o Cartel de los Soles. O grupo foi recentemente classificado como organização terrorista internacional pelo governo americano.
A administração de Donald Trump intensificou operações navais na região desde seu retorno à presidência. Mais de 20 ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas foram realizados em 2025. As operações resultaram na morte de quase 90 pessoas, incluindo cidadãos de Trinidad e Tobago.
A Venezuela mantém mobilização militar permanente em todo seu território. Caracas denuncia ameaça de invasão dos Estados Unidos. O desdobramento militar americano é considerado por especialistas do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais como o maior desde a primeira Guerra do Golfo Pérsico.
Trinidad e Tobago declarou em agosto de 2025 apoio ao desdobramento de recursos militares americanos no Caribe. O governo trinitense citou aumento da violência causada por cartéis terroristas de drogas na região. A decisão ocorreu antes mesmo da vitória eleitoral de Persad-Bissessar.
Implicações diplomáticas e econômicas para a região
A Assembleia Nacional da Venezuela declarou Persad-Bissessar persona non grata em outubro de 2025. A votação ocorreu um dia após Maduro suspender inicialmente o acordo de gás. A medida proíbe a entrada da primeira-ministra em território venezuelano.
Persad-Bissessar respondeu às críticas venezuelanas afirmando que o futuro de Trinidad e Tobago não depende da Venezuela. A primeira-ministra declarou à imprensa local que seu governo não está suscetível a chantagens políticas. O país caribenho busca alternativas energéticas para reduzir dependência de fornecedores externos.
O Ministério de Relações Exteriores de Trinidad e Tobago destacou benefícios da cooperação bilateral com os Estados Unidos. O apoio americano inclui melhorias em capacidades de vigilância e combate ao narcotráfico. Autoridades locais relatam incautação de drogas avaliadas em milhões de dólares resultantes da parceria.
Trinidad e Tobago mantém acordo de estatus de forças com os Estados Unidos firmado em 2024. O pacto permite cooperação militar bilateral entre os dois países. Persad-Bissessar indicou em agosto disposição de permitir operações americanas caso Venezuela realizasse incursão em Guyana no contexto da disputa pelo Esequibo.
A tensão entre Venezuela e Trinidad e Tobago reflete dinâmica mais ampla de disputa geopolítica no Caribe. A presença militar americana na região é vista por Caracas como tentativa de desestabilização. Washington, por sua vez, apresenta as operações como necessárias para segurança regional e combate ao crime organizado transnacional.
A Comunidade do Caribe reafirmou compromisso com cooperação sustentada com os Estados Unidos. O bloco regional, do qual Trinidad e Tobago faz parte, prioriza ações contra delincuência transnacional. A posição reflete alinhamento crescente de países caribenhos com políticas de segurança americanas.
