A União Europeia iniciou formalmente os trâmites para suspender a ratificação do acordo comercial com os Estados Unidos neste domingo. O movimento ocorre em resposta ao anúncio do presidente Donald Trump de impor tarifas de 10% a partir de fevereiro contra oito países europeus. O republicano condicionou a retirada das taxas à compra total da Groenlândia, território estratégico que a Dinamarca se recusa a vender.
Líderes do Parlamento Europeu retiraram o texto do acordo da pauta de votação prevista para o final deste mês. Manfred Weber, presidente do Partido Popular Europeu, destacou que o cenário atual torna qualquer avanço comercial “inviável”. Consequentemente, Bruxelas sinaliza que não aceitará o uso de barreiras alfandegárias como ferramenta de coerção territorial por parte de Washington.
A reunião de emergência dos 27 embaixadores da UE, realizada no Chipre, serviu para alinhar a defesa da soberania dinamarquesa. Além disso, o bloco estuda acionar o Instrumento Anti-Coerção, que permite retaliações rápidas contra parceiros que utilizem ameaças econômicas. O impasse marca o ponto mais baixo da diplomacia transatlântica desde o início do segundo mandato de Trump.
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Ameaça tarifária e a crise no Ártico
O processo de suspensão interrompe meses de negociações voltadas para a estabilidade dos mercados globais. Entretanto, a Casa Branca mantém a narrativa de que a posse da Groenlândia é vital para impedir o avanço de Rússia e China na região. A Europa, por sua vez, reforçou a presença militar na ilha a pedido de Copenhague, o que irritou o governo americano.
A incerteza sobre o futuro do tratado já causa volatilidade nas bolsas de valores de Frankfurt e Paris nesta manhã. Todavia, a unidade europeia parece fortalecida pelo que classificam como uma “espiral descendente perigosa” nas relações internacionais. A estratégia de segurança nacional de Trump agora enfrenta a resistência coordenada do maior bloco comercial do mundo.
O governo dinamarquês reiterou que o território não está à venda sob nenhuma circunstância histórica ou financeira. Consequentemente, a diplomacia europeia foca em criar um escudo econômico que proteja os estados-membros de retaliações unilaterais. O desfecho desta crise pode redefinir as alianças militares da OTAN nos próximos meses de 2026.
Impacto global e retaliações de Bruxelas
O desfecho deste processo de suspensão dependerá das negociações lideradas pelo comissário Maroš Šefčovič nos próximos dias. Enquanto isso, o setor industrial europeu se prepara para o impacto das tarifas que entram em vigor em menos de duas semanas. A prioridade de Bruxelas é proteger a autonomia estratégica e evitar que o comércio global seja refém de disputas territoriais.
Analistas apontam que a fragmentação do comércio transatlântico pode abrir brechas para novos parceiros comerciais na América Latina. Entretanto, o risco de uma inflação global acentuada preocupa os bancos centrais de todo o mundo. A decisão de suspender a ratificação é vista como um mal necessário para manter a integridade política do bloco europeu.
A aplicação das tarifas de 25% em junho é o cenário que os negociadores tentam evitar a todo custo em Bruxelas. Além disso, a resposta europeia deve incluir sobretaxas em produtos simbólicos fabricados nos estados americanos que formam a base de apoio de Trump. O mercado brasileiro observa com cautela a valorização do dólar frente a essa instabilidade geopolítica.
Para entender a profundidade dessas medidas, é essencial observar o comportamento dos índices de confiança empresarial na Alemanha.

