A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) notificou oficialmente o ex-diretor-geral Alexandre Ramagem nesta sexta-feira (26). O órgão cobra a devolução de R$ 10 mil referentes a valores pagos indevidamente durante sua gestão. A medida faz parte de um processo administrativo que identificou falhas em ajustes de encargos trabalhistas realizados anteriormente.
O Departamento de Gestão de Pessoas da agência registrou que Ramagem encontra-se em local incerto e não sabido. Por esse motivo, a notificação foi publicada para garantir que o prazo legal de 15 dias para manifestação seja cumprido. O montante deve ser retificado conforme as normas de transparência da administração pública federal.
Atualmente, Alexandre Ramagem é considerado foragido da justiça brasileira e teve sua prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal. O ex-diretor deixou o Brasil de forma irregular em setembro e reside nos Estados Unidos. A condenação de 16 anos imposta pelo STF refere-se à tentativa de golpe de Estado para manter o poder.
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A cassação do mandato de deputado federal de Ramagem foi confirmada recentemente pela Mesa Diretora da Câmara. Com a perda do foro privilegiado, os processos que envolvem o ex-parlamentar ganharam celeridade em diversas instâncias. A cobrança administrativa da Abin, no entanto, trata exclusivamente da correção de verbas salariais sem vínculo com as ações penais.
Trâmites de extradição e passaportes cancelados
O governo brasileiro já iniciou os procedimentos necessários para solicitar a extradição de Ramagem aos Estados Unidos. Além disso, a Câmara dos Deputados oficializou o cancelamento de seu passaporte diplomático na última semana. A restrição de documentos visa dificultar a movimentação internacional do ex-diretor enquanto ele responde às acusações graves.
Consequentemente, o cerco jurídico e administrativo contra o ex-chefe da inteligência bolsonarista está se fechando gradualmente. Especialistas indicam que conforme a declaração oficial da agência, o ajuste de contas é uma medida rotineira de auditoria interna. A recuperação de valores é prioridade para evitar prejuízos ao erário público em meio às turbulências políticas recentes.
Investigação da Abin paralela e monitoramento ilegal
Ramagem também figura como o principal responsável no inquérito da Abin Paralela, que investiga espionagem ilegal de autoridades. A Polícia Federal aponta que o sistema FirstMile foi utilizado para monitorar jornalistas, políticos e ministros sem ordem judicial. Esse esquema teria funcionado durante toda a sua passagem pelo comando do órgão de inteligência.
Mesmo com a defesa recorrendo das decisões no STF, a situação do ex-deputado permanece crítica perante a lei. Segundo dados oficiais consolidados, o monitoramento irregular teria alcançado milhares de alvos em território nacional. O desdobramento administrativo desta sexta-feira reforça a necessidade de controle absoluto sobre a conduta de gestores públicos em cargos estratégicos.