Alerta global: Brasil é o 7º país mais perigoso do mundo em 2025

Relatório internacional de conflitos coloca nação ao lado de zonas de guerra declarada, destacando a letalidade do crime organizado e disputas territoriais como motores da crise.

O Brasil amanheceu nesta sexta,feira (12) com uma notícia alarmante vinda de observatórios internacionais: o país ocupa agora a sétima posição entre os locais mais violentos do planeta. Segundo o novo Índice de Conflito Global divulgado pela organização não governamental ACLED (Armed Conflict Location & Event Data Project), o Brasil país mais perigoso em termos de criminalidade urbana supera nações que enfrentam guerras civis tradicionais. O relatório de 2025 classifica a situação brasileira como “extrema”, colocando,a no mesmo patamar de volatilidade de países como Mianmar, Síria e México. O dado expõe a falência de políticas públicas de segurança e a expansão desenfreada de facções criminosas que dominam territórios inteiros.

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A análise da ACLED destaca que, diferentemente de outros países no topo da lista, o Brasil não vive um conflito político,ideológico centralizado, mas sim uma guerra fragmentada e difusa. A letalidade policial, somada aos confrontos entre grupos rivais pelo controle das rotas de narcotráfico, gera números de óbitos comparáveis aos de zonas de combate ativo. O estudo aponta que a violência não está mais restrita aos grandes centros urbanos do Sudeste, tendo migrado com força devastadora para o Norte e Nordeste, onde a disputa por fronteiras e recursos naturais, como madeira e minérios, intensificou o derramamento de sangue nos últimos doze meses.

Nação com alto risco

Ao ser categorizado como uma nação com alto risco, o Brasil vê sua imagem internacional deteriorar,se, afetando diretamente a atração de investimentos e o turismo. O relatório detalha que a “complexidade do ambiente criminal” brasileiro é única. Enquanto em guerras convencionais existem dois ou três exércitos definidos, no cenário nacional operam dezenas de milícias, facções prisionais e grupos de extermínio, criando um ecossistema de insegurança imprevisível. Para a ACLED, a incapacidade do Estado em manter o monopólio da força em favelas e periferias é o principal vetor que sustenta essa classificação vergonhosa.

Especialistas em segurança pública ouvidos pelo Portal Resenha Diária avaliam que a sétima posição reflete a “mexicanização” do conflito brasileiro. O uso de táticas de terror, como o “novo cangaço” (ataques a cidades pequenas) e a queima de ônibus como represália a ações policiais, elevou o nível de periculosidade percebida. Além disso, o documento cita o aumento de assassinatos de líderes comunitários, ambientalistas e políticos locais como um fator agravante que pesa na metodologia do ranking. A sensação de impunidade, corroborada por taxas de esclarecimento de homicídios que não chegam a 40% em muitos estados, alimenta o ciclo vicioso da violência.

Território de violência extrema

O status de território de violência extrema traz consequências práticas imediatas para a população. O relatório menciona que, em 2025, milhões de brasileiros viveram sob algum tipo de “governança criminal”, onde o acesso a serviços básicos como luz, internet e gás é mediado por bandidos. Essa realidade, antes vista como exceção, tornou,se regra em vastas áreas metropolitanas. A ACLED ressalta que a violência no Brasil é “polimorfa”, adaptando,se rapidamente às pressões policiais e migrando para onde a fiscalização é menor, o que torna o combate tradicional pouco eficaz sem inteligência e integração federal.

Dados complementares do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cruzados com o índice internacional, mostram que a letalidade não afeta todos de forma igual. Jovens negros e moradores de periferia continuam sendo as principais vítimas dessa guerra não declarada. No entanto, o relatório de 2025 faz um alerta específico sobre o aumento de “danos colaterais” em áreas nobres e turísticas, sugerindo que as “bolhas de segurança” estão sendo rompidas. O sequestro relâmpago via PIX e os latrocínios em áreas comerciais de alta renda foram citados como exemplos de que a insegurança transbordou as fronteiras sociais invisíveis das cidades brasileiras.

Zona de conflito intenso

A classificação como zona de conflito intenso coloca pressão direta sobre o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O governo federal, que havia prometido uma redução drástica nos índices de criminalidade violenta, enfrenta agora o desafio de explicar à comunidade internacional por que os números continuam subindo. A oposição já se mobiliza no Congresso para convocar ministros e exigir um novo plano nacional de combate ao crime organizado. A narrativa de que o Brasil é um país pacífico por natureza cai por terra diante de estatísticas que mostram mais mortes violentas intencionais aqui do que em muitos teatros de guerra no Oriente Médio.

O relatório também aborda a questão das fronteiras. O Brasil, com seus mais de 16 mil quilômetros de divisas secas, tornou,se um hub logístico global para o tráfico de cocaína, o que atrai a cobiça de cartéis transnacionais. A disputa por portos, como o de Santos (SP) e Paranaguá (PR), transformou cidades costeiras em campos de batalha. A ACLED enfatiza que, sem uma cooperação internacional robusta e o fortalecimento da Polícia Federal e das Forças Armadas na vigilância limítrofe, dificilmente o país sairá do “top 10” da violência mundial nos próximos anos.

Estado em alerta vermelho

Por fim, o reconhecimento do Brasil como um estado em alerta vermelho exige uma reflexão profunda sobre o modelo de policiamento e justiça criminal. O encarceramento em massa, política adotada nas últimas décadas, não apenas falhou em conter o crime, como fortaleceu as facções dentro dos presídios, que hoje funcionam como escritórios do crime. O relatório sugere que o caminho para sair dessa lista nefasta envolve investimento maciço em inteligência, rastreamento financeiro das organizações criminosas e programas sociais que disputem a juventude com o tráfico.

Consequentemente, a sociedade civil aguarda respostas. O medo constante altera rotinas, fecha comércios e esvazia espaços públicos, cobrando um preço psicológico e econômico altíssimo. Se o Brasil quiser deixar de ser um pária na segurança global e oferecer dignidade aos seus cidadãos, precisará encarar que vive, sim, um conflito armado interno de proporções catastróficas, e que as soluções paliativas de curto prazo já se esgotaram. A sétima posição não é apenas um número; é um retrato de milhares de vidas interrompidas precocemente pela brutalidade.

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